Regeneração natural de florestas ajuda a conter o avanço de espécies invasoras
André Julião | Agência FAPESP – A presença de árvores não nativas é frequentemente vista como um obstáculo para a recuperação de florestas tropicais que voltam a crescer em áreas antes desmatadas. Com o objetivo de entender como essas plantas se comportam ao longo dos anos em matas úmidas e secas, pesquisadores de aproximadamente 60 instituições analisaram dados de mais de 1,5 mil áreas em regeneração nas Américas. Os resultados, publicados na revista Nature Plants , indicam que o domínio inicial das espécies exóticas é passageiro. Elas se multiplicam com facilidade nos primeiros 10 a 20 anos, aproveitando o sol abundante dos terrenos abertos, mas entram em declínio conforme as árvores nativas crescem e passam a sombrear a floresta.
Segundo Angelica Faria de Resende , primeira autora do artigo, a preocupação inicial com essas plantas se justifica porque, “ao substituir o papel de uma ou mais espécies nativas e alterar processos naturais, as invasoras podem modificar as redes tróficas e a diversidade funcional, estrutural e biológica na floresta”.
O estudo foi realizado durante seu pós-doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), com bolsa da FAPESP e período de estágio na Universidade de Stirling, na Escócia. Os dados levantados pela equipe mostram que essa interferência é mais expressiva nas matas úmidas – onde, nas duas primeiras décadas, as árvores exóticas chegaram a representar 28% dos troncos e 22% do total de espécies – do que nas florestas secas, onde atingiram 9% em ambos os indicadores.
Na avaliação da pesquisadora, o impacto tende a ser parcial ou temporário. “Chamou nossa atenção que tanto a diversidade de espécies quanto a quantidade de indivíduos caíram consideravelmente logo após esse pico inicial”, afirma Resende, ressaltando que, embora algumas árvores não nativas permaneçam na fase adulta da mata, sua presença se torna reduzida à medida que a floresta amadurece.
Esse recuo ocorre porque as árvores exóticas encontradas nessas áreas costumam ter características semelhantes às das espécies nativas chamadas “pioneiras”: têm crescimento rápido e precisam de luz abundante para se desenvolver, como a que existe em pastagens recém-abandonadas. No início da regeneração, ambas disputam espaço, mas acabam cedendo lugar às árvores nativas de crescimento lento, que germinam na sombra e gradualmente assumem o domínio da paisagem.
“As não nativas são oportunistas e se aproveitam quando as condições são favoráveis”, resume Resende. Segundo a pesquisadora, à medida que a mata se fecha e o ambiente deixa de ser propício para espécies que dependem de sol pleno, elas passam a se manter apenas em baixas densidades.
Parte das áreas monitoradas no trabalho integra o projeto “ Compreendendo florestas restauradas para o benefício das pessoas e da natureza – NewFor ”, apoiado pela FAPESP por meio do Programa BIOTA e pela Organização Neerlandesa para a Pesquisa Científica (NWO).
Das 3.735 espécies amostradas, 131 eram consideradas não nativas/não invasoras, 14 não nativas/potencialmente invasoras (reportadas como invasoras em outro país) e 11 não nativas/invasoras.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.