Olho no Japão — Japão pode encarecer o dinheiro no mundo sem vender seus trilhões
Esta é a quinta e última reportagem da série Olho no Japão, em que o Radar Econômico investigou a mudança do regime de juros japonês, o yen carry trade e os efeitos dessa transformação sobre os mercados globais e os ativos brasileiros.
O maior risco da virada dos juros japoneses para o resto do mundo talvez não envolva uma corrida para vender Treasuries, uma explosão do iene ou uma nova crise como a de agosto de 2024.
Pode acontecer quase silenciosamente.
Quando títulos estrangeiros comprados por bancos, seguradoras e fundos de pensão japoneses vencerem, parte do dinheiro simplesmente pode não ser reinvestida no exterior .
A diferença parece pequena.
Aplicada a uma das maiores reservas privadas de capital do planeta, não é.
Continua após a publicidade No final de 2025, investidores japoneses possuíam 1,806 quatrilhão de ienes em ativos no exterior .
Ao câmbio atual, trata-se de um universo superior a 11 trilhões de dólares.
Só os investimentos em ações, fundos e títulos estrangeiros somavam 768,7 trilhões de ienes .
O Japão tinha uma posição internacional líquida credora de 561,8 trilhões de ienes.
Continua após a publicidade É esse gigantesco reservatório de poupança que durante décadas ajudou a financiar governos, empresas e mercados ao redor do planeta.
O motivo era simples.
Continua após a publicidade Em casa, o dinheiro quase não rendia.
Com os juros japoneses próximos de zero — e durante parte desse período negativos — bancos, seguradoras, fundos de pensão e outros investidores tinham fortes incentivos para comprar Treasuries americanos, títulos europeus, dívida australiana e uma enorme variedade de ativos fora do Japão.
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