Análise de urnas desafia tese de que abstenção tirou votos de Lula no primeiro turno
A hipótese de que a abstenção teria sido a principal responsável pela perda de mais de 3 milhões de votos de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno em relação à eleição de 2022 não encontra respaldo nos dados analisados pelo cientista político Fábio Vasconcellos.
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Raquel Novaes, o pesquisador afirmou que o levantamento das seções eleitorais dos dois pleitos não identificou evidências de que o não comparecimento dos eleitores tenha provocado a redução da votação do petista. (este texto é um resumo do vídeo acima) O estudo comparou dados de mais de 460 mil seções eleitorais nos dois anos, cruzando a variação da abstenção com o desempenho de Lula e de Flávio Bolsonaro, em comparação com a votação de Jair Bolsonaro em 2022.
A análise procurou verificar se, nos locais em que mais eleitores deixaram de votar, Lula havia registrado perdas proporcionalmente maiores.
Os resultados não confirmaram essa relação.
Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral O que os dados revelam sobre a abstenção? A abstenção no primeiro turno de 2026 chegou a 21,08%, uma variação de apenas 0,14 ponto percentual em relação ao pleito anterior, segundo os números apresentados no programa.
A distribuição regional também chamou a atenção dos pesquisadores: enquanto a ausência de eleitores aumentou em estados do Sul e do Sudeste, ela diminuiu no Norte e no Nordeste, regiões em que o PT costuma registrar votações expressivas.
Continua após a publicidade Para testar a hipótese, Vasconcellos dividiu as seções eleitorais conforme o comportamento da abstenção: queda superior a um ponto percentual, estabilidade e aumento.
Em seguida, comparou a variação da votação de Lula em relação a 2022.
Nas seções em que a abstenção caiu, o petista registrou redução de 3,83% na votação, segundo os números apresentados pelo pesquisador.
Onde a abstenção permaneceu estável, a queda foi de 3,51%.
Já nos locais em que a ausência de eleitores aumentou, a redução foi de 3,56%.
Continua após a publicidade A diferença entre os resultados não sustenta a interpretação de que a abstenção tenha sido determinante para a perda de votos do presidente.
“Não há nenhuma relação, pelo menos com essa metodologia que a gente adotou, que é muito padrão dentro da ciência política”, afirmou Vasconcellos.
Ele ressalvou que a conclusão se refere aos dados e ao método empregados no levantamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.