Com preços em disparada, população iraniana já sente o impacto das novas sanções dos EUA
Os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira (24) novas sanções contra o Irã. Embora Washington ainda não tenha divulgado quando as medidas entrarão em vigor nem quais países serão atingidos, seus efeitos já começam a ser sentidos em Teerã. A Casa Branca aposta no aumento da pressão econômica sobre um país que convive há décadas com restrições internacionais. Nesta quarta-feira (26), o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou que os EUA não conseguirão "nada" com a nova ofensiva econômica.
No Irã, a inflação já estava em 70%, enquanto a dos produtos de consumo diário chegava a 130%. Quase seis meses após o início da guerra entre Washington e Teerã, a economia iraniana segue em deterioração.
"Por causa dessas sanções, o preço das nossas lâmpadas halógenas, sejam elas iranianas ou importadas, aumentou 30% em apenas três dias. Suspendemos as vendas. Comprávamos alumínio e aço para fabricar nossos produtos, mas agora esses materiais desapareceram do mercado. Chegamos a pagar antecipadamente, mas os fabricantes informaram que as vendas foram interrompidas", relata.
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (26) que as novas pressões econômicas dos Estados Unidos contra a República Islâmica não afetarão o país, segundo a mídia local.
"Com as medidas previstas pelos órgãos econômicos do governo, os Estados Unidos não conseguirão nada com sua pressão econômica neste momento, assim como não conseguiram nada durante a guerra", declarou Pezeshkian, citado pela agência de notícias Isna.
O impacto é ainda mais severo para as classes média e baixa, afirma Ali, sapateiro no norte de Teerã. "Todos os produtos que compro para trabalhar dobraram de preço em apenas dois meses. Em dois meses, não em dois anos", afirma.
O mesmo ocorre com os produtos do dia a dia. "No que diz respeito à vida cotidiana, todo mundo está sob pressão. Meu pai recebe uma aposentadoria de 20 milhões de tomãs (cerca de R$ 510). Desse total, 18 milhões são gastos todos os meses apenas com medicamentos. O governo precisa pensar na população e ajudá-la. As pessoas, especialmente as mais pobres, estão sendo esmagadas pela situação", alerta.
Nesse cenário, o governo estuda aumentar o preço da gasolina, uma medida considerada de alto risco em um país onde reajustes dos combustíveis já provocaram protestos em larga escala no passado.
Com receio de uma crise de abastecimento em consequência das novas sanções impostas por Washington, motoristas enfrentavam filas nos postos de combustível de Teerã já na terça-feira (25). As autoridades também anunciaram uma rara redução das cotas de gasolina em vigor há anos, além da aplicação de tarifas mais altas para quem ultrapassar os limites estabelecidos.
Na televisão estatal iraniana, o ministro da Economia, Ali Madanizadeh, previu na segunda-feira "uma nova derrota" para Washington. Segundo ele, Teerã dispõe de um "plano de dois anos" para neutralizar os efeitos das sanções, embora não tenha revelado detalhes.
No centro do conflito está o estratégico Estreito de Ormuz , por onde passava cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo antes da guerra.
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