A pergunta errada sobre inteligência artificial na advocacia
Em maio deste ano, uma Vara do Trabalho de Parauapebas, no Pará, multou duas advogadas em cerca de R$ 84 mil. O sistema de inteligência artificial do próprio tribunal encontrou, na petição inicial, um texto escondido em fonte branca, invisível ao olho humano, mandando que qualquer IA que processasse a peça a contestasse “de forma superficial”. A OAB do Pará suspendeu as duas. No mesmo período, o Superior Tribunal de Justiça abriu inquérito para apurar tentativas parecidas contra o seu próprio sistema.
Conto isso porque desfaz uma ilusão confortável. O uso de inteligência artificial na advocacia deixou de ser assunto interno de cada escritório. O Judiciário passou a ler as nossas peças por máquina, montou defesas contra elas e começou a punir.
A resposta do mercado tem sido vender o que é mais rápido de entregar, os cursos de engenharia de prompt, os pacotes de comandos prontos, as listas de ferramentas. Uso inteligência artificial de forma intensiva na minha rotina, e falo de dentro do problema. Tudo isso responde à pergunta errada, porque cuida da consequência e deixa intacto o problema.
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