Derrota de Flávio Bolsonaro é golpe para Trump e sua ‘onda laranja’, diz The Guardian
A derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira representa um revés para Donald Trump e para o avanço da direita alinhada ao presidente americano na América Latina, segundo análise publicada nesta quinta-feira, 29, pelo jornal britânico The Guardian .
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu a sequência de triunfos eleitorais de candidatos conservadores na região e frustrou a expectativa de aproximar a maior economia sul-americana da esfera de influência de Washington.
O jornal descreve esse avanço como uma “onda laranja”, em referência ao tom alaranjado associado à pele de Trump.
Nos últimos anos, candidatos de direita venceram eleições em países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras e Peru.
A ofensiva americana também incluiu a intervenção militar na Venezuela, em janeiro, que resultou na tomada do poder no país.
“Mas os eleitores brasileiros tinham outros planos: compareceram em massa às urnas para votar contra o populista pró-Trump e reconduzir o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva ao poder”, escreveu o The Guardian .
Continua após a publicidade “Este é, sem dúvida, um golpe significativo para a estratégia regional de Trump”, afirmou Benjamin Gedan, diretor do programa para a América Latina do Stimson Center e ex-assessor da Casa Branca para a região.
Segundo ele, a sequência de vitórias de aliados políticos havia alimentado a percepção de que o presidente americano poderia influenciar os rumos políticos de toda a América Latina.
A derrota de Flávio Bolsonaro também foi celebrada por setores ligados ao governo chinês, em meio à disputa entre Pequim e Washington por influência na região.
Hu Xijin, comentarista e ex-editor do jornal estatal chinês Global Times , afirmou nas redes sociais que a vitória de Lula frustrou os planos de Trump de ampliar a influência americana sobre o continente.
Continua após a publicidade Trump, por sua vez, questionou o resultado da eleição, vencida por Lula com uma diferença de 4,3 milhões de votos, mas evitou adotar uma postura de confronto direto com o presidente brasileiro.
“Acho que a eleição foi realmente estranha.
É terrível de se ver”, declarou a jornalistas, acrescentando que não havia se envolvido no processo.
A fala ocorreu após meses de pressão econômica e diplomática de Washington sobre o Brasil.
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