Estudo investiga como o cuidado na primeira infância pode influenciar sintomas de TDAH
Estudo revela detalhes sobre cuidadores e crianças com TDAH (Foto - Reprodução) A forma como uma criança é acolhida, compreendida e atendida nos primeiros meses de vida pode ter relação com a maneira como alguns fatores de risco para o desenvolvimento se manifestam mais tarde.
Um estudo recente da Oregon Health & Science University (OHSU) , nos Estados Unidos, encontrou evidências de que interações mais sensíveis entre cuidadores e bebês podem reduzir a associação entre a inflamação durante a gestação e o surgimento de sintomas relacionados ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry , o estudo acompanhou 302 gestantes e seus filhos.
Os pesquisadores analisaram marcadores de inflamação no sangue das mães durante o segundo trimestre da gestação, observaram a interação entre mães e bebês aos seis meses e avaliaram sintomas de TDAH quando as crianças chegaram aos 36 meses.
Os resultados mostraram que níveis mais elevados de inflamação durante a gestação estiveram associados a mais sintomas de TDAH na fase pré-escolar, mas essa relação apareceu principalmente entre as crianças que receberam níveis abaixo da média de cuidados considerados sensíveis.
Nesse contexto, cuidado sensível significa perceber os sinais da criança, compreender suas necessidades e responder de maneira adequada às manifestações emocionais e não verbais.
São interações que podem acontecer em situações simples do cotidiano, como brincar, conversar, ler juntos, responder quando a criança chama ou utilizar um tom de voz acolhedor.
A descoberta reforça uma visão cada vez mais ampla sobre o desenvolvimento infantil.
Embora fatores genéticos tenham papel importante no TDAH, o ambiente também participa desse processo.
O desenvolvimento do cérebro continua depois do nascimento e é influenciado pelas experiências da criança e pelas relações que ela estabelece com as pessoas ao redor.
Isso, no entanto, não significa que uma relação familiar positiva possa impedir ou curar o TDAH.
O estudo encontrou uma associação e investigou especificamente como a qualidade do cuidado poderia modificar a relação entre a inflamação gestacional e os sintomas observados aos três anos.
Além disso, os próprios pesquisadores destacam que os resultados ainda precisam ser replicados em outros grupos e acompanhados por períodos mais longos.
Outro ponto importante é que apresentar sintomas de TDAH aos três anos não equivale necessariamente a receber um diagnóstico do transtorno.
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