Neurocientista explica como a exposição pública no trabalho afeta o cérebro
Expor um colega durante uma reunião de trabalho , mesmo ao apontar um problema real, pode dificultar a resolução de conflitos e prejudicar o desempenho das equipes.
Além do constrangimento imediato, críticas feitas diante de outras pessoas podem desencadear reações defensivas , alimentar disputas internas e comprometer a colaboração entre diferentes áreas de uma empresa.
Segundo a neurocientista comportamental Ana Carolina Souza, situações de julgamento e exposição pública podem ativar mecanismos cerebrais associados à defesa diante de uma ameaça percebida.
“Quando acusado, criticado, julgado e/ou exposto publicamente qualquer indivíduo ativa automaticamente em seu cérebro o Sistema Motivacional Defensivo, disparando respostas emocionais que assumem o controle de seu comportamento em prol de garantir a sua sobrevivência”, afirma a especialista.
A reação pode aparecer em reuniões nas quais profissionais são responsabilizados publicamente por atrasos, falhas ou resultados abaixo do esperado.
Em vez de concentrar esforços na identificação das causas e na busca por soluções, os envolvidos podem passar a justificar as próprias decisões, transferir responsabilidades ou rebater as críticas.
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De acordo com Souza, a percepção de ameaça pode levar uma pessoa a adotar comportamentos associados a duas respostas defensivas: lutar ou fugir.
No ambiente profissional , isso pode se manifestar por meio de respostas evasivas, tentativas de atribuir a culpa a terceiros, questionamentos sobre a legitimidade da cobrança ou críticas direcionadas a quem iniciou a discussão.
As reações também podem ser percebidas fisicamente , com aumento do tom de voz, aceleração dos batimentos cardíacos, respiração ofegante e tensão na mandíbula.
Nesse cenário, a discussão tende a se afastar do problema original .
Os participantes passam a defender suas posições, enquanto os demais integrantes da equipe podem tomar partido com base em suas próprias experiências e percepções.
“O que existe são processos emocionais inconscientes, muitas vezes intensos, que querem determinar na ‘marra’ quem irá ganhar a discussão”, diz Souza.
A consequência pode ser uma reunião sem encaminhamentos concretos, seguida de ressentimentos e desgaste nas relações profissionais.
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