Lula e Flávio preparam ajustes fiscais com ritmos distintos, mas evitam detalhamento
As propostas econômicas dos principais candidatos à Presidência do Brasil se diferenciam na intensidade do ajuste fiscal prometido, mas convergem na ausência de detalhamento, sem anúncios de medidas que poderiam ser consideradas impopulares em meio a uma disputa eleitoral acirrada.
Apesar da cautela em declarações públicas, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro preparam nos bastidores medidas para estabilizar a dívida pública, que atingiu 82,5% após subir mais de 10 pontos percentuais no atual governo.
O objetivo dos dois lados é abrir espaço para queda dos juros, ainda que sigam receituários diferentes.
Enquanto o time de Lula defende que o gradualismo é essencial para preservar políticas públicas de amparo aos mais pobres, a equipe de Flávio tem defendido rapidez no ajuste como ferramenta para promover um choque de confiança e diminuir os juros futuros.
Porta-vozes do presidente reiteram o compromisso já sinalizado na Lei de Diretrizes Orçamentárias de seguir melhorando o resultado primário em eventual novo governo até que o saldo chegue a um superávit efetivo de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030, ante déficit de 0,4% projetado para este ano.
A trajetória implica ajuste de cerca de 1,7% do PIB até o fim do próximo mandato.
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Medidas diretas para tratamento de vinculações e indexações que engessam e comprimem o orçamento, e que acabam impactando benefícios previdenciários e sociais, não foram, no entanto, apresentadas pelos candidatos.
Nenhum dos campos expôs, tampouco, reformas estruturais capazes de desacelerar o crescimento das despesas obrigatórias, que respondem pela maior parte do gasto federal.
LULA O time de campanha de Lula diz querer manter o arcabouço fiscal em vigor, mas reconhece a possibilidade de revisão de seus parâmetros.
Ministros da equipe econômica têm tido encontros com representantes do mercado para reforçar que há compromisso de Lula nesta direção, mas declarações públicas do presidente aumentam a desconfiança sobre o que ele efetivamente fará num eventual novo mandato. ‘Para gerar emprego, a economia tem que crescer, e para a economia crescer, o governo tem que investir.
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