Karim Aïnouz despedaça os super-ricos com sangue e sexo em 'Rosebush Pruning'
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"Comam os ricos", teria dito o filósofo Jean-Jacques Rousseau mais de dois séculos antes de o slogan inspirar todo um subgênero do cinema . A ideia de comê-los, porém, ganha duas variações no novo filme de Karim Aïnouz –uma simbólica, anticapitalista, e outra que se apropria da conotação sexual do termo.
Quase todos os personagens que orbitam " Rosebush Pruning ", exibido no Festival de Berlim , querem ser devorados na cama. Ao mesmo tempo em que têm comportamento quase infantil, cortesia da bolha de hedonismo e alienação em que vivem, estão sedentos por sexo.
Enquanto isso, o espectador testemunha a rápida ruína daquele núcleo familiar abastado, que vive de herança e num culto eterno ao que é belo e luxuoso. Estão todos distantes do que acontece fora da mansão onde vivem, escondida nos campos dourados pelo sol da Catalunha, na Espanha.
"Os super-ricos vivem num isolamento tão grande que perdem a noção do real. É uma realidade tão absurda nesse sentido que eles todos mergulham numa espiral de situações improváveis", diz Aïnouz, que mora em Berlim e veio ao Brasil para a première latino-americana de "Rosebush Pruning" no Festival do Rio , na semana passada.
"Esses personagens são pessoas com idade mental de 12 anos, em corpos de 30 e poucos. Foram atrofiadas psiquicamente, são adolescentes num corpo de gente adulta, completamente isolados do mundo e sem nenhuma bússola moral."
Quem narra a derrocada da família é o protagonista de Callum Turner, que decide agir em nome do irmão –o único verdadeiramente bom ali– quando este se apaixona por uma forasteira. Ciente de que os personagens de Jamie Bell e Elle Fanning jamais serão felizes sob os olhares invejosos e doentios dos parentes, ele monta um plano violento para libertar o casal daquela prisão construída com laços de sangue.
Além dos três, compõem o núcleo familiar o pai abusivo, vivido por Tracy Letts, a mãe que forjou a própria morte, papel de Pamela Anderson, a irmã carente e revanchista de Riley Keough e o irmão enrustido e tomado por desejos incestuosos de Lukas Gage.
Ed, o personagem de Turner, sabe que também é parte daquela casa de tipos loucos e problemáticos, mas decide ajudar o irmão depois de se apaixonar pela primeira vez na vida, por um homem mais velho, simples, que aparece ali de férias e logo retorna para a Grécia, seu país natal.
"Ele é um narrador queer e um ‘trickster’ [arquétipo de trapaceiro], um impostor. Ele vai fazer de tudo para também se ver livre daquela família. Você não sabe quando ele está dizendo a verdade, porque ele é muito charmoso e profundamente apaixonado", diz Aïnouz sobre o personagem de Turner, que por sua vez caiu nas graças da internet após as fotos em que aparece igualmente charmoso e profundamente apaixonado em seu casamento com a cantora Dua Lipa .
Assim, Ed entra para o rol de protagonistas da cinematografia do cearense que tentam fugir de algo, muitas vezes da própria família.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.