Indonésia: incêndios florestais ameaçam liberar "bombas" de carbono
Os incêndios florestais que atingem a Indonésia já levaram à hospitalização de milhares de pessoas no país.
A fumaça tóxica cobre o arquipélago do sudeste asiático e chega às vizinhas Malásia e Filipinas.
O fogo preocupa ainda mais porque atinge as turfeiras tropicais.
As formações são ecossistemas úmidos com solo encharcado, onde a matéria orgânica se acumula lentamente devido à falta de oxigênio na água.
A Indonésia tem 24 milhões de hectares desse tipo de solo, que são quase 36% de todas as turfeiras tropicais do planeta.
Quando elas pegam fogo, podem se tornar “bombas de carbono”.
Segundo Nisa Novita, pesquisadora de turfeiras da ONG de conservação indonésia Yayasan Konservasi Alam Nusantara, as turfeiras permitem que o carbono se acumule no subsolo por milhares de anos.
“Mas isso também significa que elas podem se tornar uma ‘bomba de carbono’ quando forem esvaziadas ou queimadas, porque esse carbono pode ser liberado rapidamente na atmosfera”, disse à BBC.
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A agência projeta que eles geram três vezes mais partículas finas do que outros incêndios em florestas tropicais, cinco vezes mais dióxido de enxofre, três vezes mais carbono orgânico e duas vezes mais metano e monóxido de carbono.
A temporada de incêndios deste ano na Indonésia ainda ameaça ser pior do que a dos últimos anos devido ao El Niño.
Em 2015, último ano do fenômeno, os incêndios liberaram 1,75 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa.
Neste ano, cerca de 10% dessa quantidade já foi queimada.
“A Indonésia está apenas há cerca de três semanas em sua temporada de incêndios, mas estamos vendo a atividade dos incêndios aumentar acentuadamente, de forma semelhante a 2015”, disse Robert Field, pesquisador da Universidade Columbia.
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