Dark Horse: TCM cobrou Prefeitura sobre escolha de ONG para instalar Wi-Fi
O Tribunal de Contas do Município (TCM) contestou mais de 20 pontos do edital de chamamento da Prefeitura de São Paulo que contratou o Instituto Conhecer Brasil (ICB) , ONG da produtora do filme Dark Horse Karina Ferreira da Gama, para instalar pontos de Wi-Fi na periferia da capital paulista.
O ICB foi o único concorrente no chamamento público feito em junho de 2024 pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) .
As informações foram reveladas pelo The Intercept em dezembro de 2025 e constam em investigação da Polícia Federal (PF) , que teve o sigilo levantado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) , neste domingo (13/9).
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A Prefeitura respondeu que o ICB tinha “experiência em inserção territorial, articulação comunitária e viabilização do acesso em locais de extrema complexidade” e, por isso, foi contratado.
Para dar conta do serviço, o ICB subcontratou a empresa Make One por R$ 36 milhões, destinado à locação de equipamentos.
Na prestação de contas, o ICB apresentou quatro notas de R$ 8,5 milhões, com numeração estritamente sequencial, emitidas no mesmo dia, com a mesma data de vencimento e valores fracionados.
A PF suspeita que as características das notas levantam suspeitas de montagem documental artificial para encobrir desvios do recurso.
Empresa pública cobraria 7 vezes menos A Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam) cobraria R$ 230 pela instalação de cada ponto de Wi-Fi.
No contrato com o ICB, cada ponto de internet saiu por R$ 1,8 mil.
O valor contratado é mais de sete vezes maior.
A prefeitura argumentou que o contrato não poderia ser feito com a empresa pública porque a “Prodam não pode atuar em ambientes privados” e disse também que “organizações sociais têm maior expertise em atuação direta às comunidades”.
O contrato inicial com o ICB previa a entrega de 5 mil pontos de Wi-Fi, mas no fim, apenas 3,2 mil foram instalados.
A prefeitura disse que o valor de R$ 930 mil, referente aos 1,8 mil pontos de internet que não foram instalados, foram devolvidos.
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