O animal que suporta horas com pouco oxigênio e revela como alguns vertebrados resistem à hipóxia
Experimentos com Pelomedusa mostram como tartarugas tropicais enfrentam mergulhos prolongados mesmo quando o oxigênio no sangue diminui
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Algumas tartarugas conseguem permanecer submersas por períodos que seriam perigosos para muitos outros vertebrados. Entre elas estão espécies do gênero Pelomedusa , encontradas na África. A tartaruga-de-capacete apresenta elevada tolerância à redução de oxigênio , característica estudada em laboratório para entender como circulação, metabolismo e equilíbrio químico do sangue respondem durante mergulhos prolongados.
As tartarugas respiram ar com pulmões, mas muitas espécies aquáticas conseguem interromper a respiração durante longos períodos enquanto permanecem submersas. Durante esse tempo, a quantidade de oxigênio disponível no sangue diminui progressivamente e o organismo precisa ajustar diferentes processos fisiológicos.
Em Pelomedusa , estudos mostram períodos de apneia interrompidos por episódios de respiração na superfície. Quando submetida à hipóxia, a ventilação também aumenta, demonstrando que o animal detecta a queda de oxigênio e modifica seu comportamento respiratório.
Um experimento publicado em 1999 manteve tartarugas identificadas na época como Pelomedusa subrufa submersas durante seis horas em água aerada a 20 °C. Mesmo com oxigênio presente na água, elas não respiravam ar normalmente, provocando forte redução da pressão de oxigênio no sangue.
O organismo passou então a depender mais do metabolismo anaeróbio. Os pesquisadores registraram aumento de lactato e redução do bicarbonato, acompanhados por acidose respiratória e metabólica. Apesar dessas alterações, os animais toleraram todo o período experimental de submersão.
Este vídeo mostra uma Pelomedusa e ajuda a visualizar a tartaruga aquática estudada nesses trabalhos fisiológicos.
Os dados disponíveis para Pelomedusa sustentam claramente uma elevada tolerância à hipóxia e à apneia prolongada, mas não justificam afirmar que esse gênero consegue sobreviver completamente sem oxigênio durante horas nas mesmas condições documentadas para algumas outras tartarugas.
Essa diferença é importante. Tartarugas dos gêneros Chrysemys e Trachemys são campeãs conhecidas de tolerância à anóxia completa e podem sobreviver dias, semanas ou até meses dependendo da temperatura. Pelomedusa , por outro lado, foi utilizada principalmente para demonstrar que a tolerância à falta parcial de oxigênio também ocorre em tartarugas tropicais.
A capacidade de algumas tartarugas sobreviverem em condições extremas de baixa disponibilidade de oxigênio é conhecida pela ciência há décadas. Portanto, Pelomedusa não revelou pela primeira vez que um vertebrado podia suportar hipóxia intensa ou anóxia.
O resultado importante foi outro. Ao comparar uma espécie temperada com três tartarugas tropicais, pesquisadores encontraram respostas semelhantes à submersão prolongada e concluíram que a tolerância à hipóxia provavelmente representa uma característica antiga e amplamente conservada entre tartarugas.
Os pesquisadores acompanharam gases sanguíneos, pH, lactato, glicose e diferentes íons durante seis horas de submersão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.