O que o Agosto Lilás insiste em nos ensinar
Anualmente, o calendário brasileiro se tinge de lilás. O oitavo mês do ano foi escolhido para relembrar a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e para lançar luz sobre a dor silenciosa que habita milhares de lares.
No entanto, quando as campanhas governamentais terminam e os laços coloridos são recolhidos, a realidade permanece brutal. O Agosto Lilás precisa nos ensinar, antes de tudo, que a violência de gênero não é um surto isolado ou uma falha de descontrole emocional: é um projeto social estruturado pelo patriarcado e alimentado pelo machismo.
Enquanto o mundo enfrenta crises de saúde e econômicas, o Brasil vivencia há séculos uma pandemia crônica e doméstica. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registra um feminicídio a cada quatro horas e uma agressão física no âmbito doméstico a cada dois minutos.
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