Sakamoto: 'Airbnb de luxo' não é de graça; Caso Master deve ser exemplo
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Mensagens sobre a reserva de uma mansão de luxo para um ministro identificado como "KN" expõem "promiscuidade" entre interesses privados e a coisa pública, avaliou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News - 2ª edição , do Canal UOL.
Daniel Vorcaro teria reservado uma casa avaliada em R$ 250 milhões no Rio de Janeiro para o carnaval de 2025. Para investigadores da Polícia Federal, "KN" seria o ministro Kassio Nunes Marques, do STF e presidente do TSE.
Tudo isso pode parecer brincadeira, mas tem sentido, porque estamos falando de promiscuidade entre a coisa pública e a privada, além do pagamento de vantagens, que também são fornecidas através de mimos, como viagens, viagens pra família, ou o 'Airbnb de luxo', como podemos ver aqui nesse caso.
Se ele está pagando isso, não é porque olhou para o ministro Kassio e falou: "Que cara legal". Isso em si já teria que chegar pro ministro e falar: 'Olha, não aceito. Eu sou um ministro do STF. Eu não posso aceitar presentes'.
O mimo está sendo dado pelo fato da pessoa gostar de você ou pelo fato do cargo que você ocupa? É o cargo que você ocupa, as decisões que você pode tomar e as facilidades que você pode abrir. Vocês acham que isso é de graça? Isso não é de graça. Quando um ator público aceita essas coisas, é outros 500. Não existe almoço grátis. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
No debate, Sakamoto disse que o caso precisa ser investigado até o fim e que a apuração não pode se limitar a um personagem. Para ele, o que aparecer no caso do Banco Master deve ajudar a "passar a limpo" e também a criar travas para evitar repetição.
Essa história do Vorcaro tem que acender um alerta muito grande sobre essa questão da promiscuidade do Judiciário, de uma maneira geral, com o poder econômico. Fica parecendo que o Vorcaro é o único empresário que teve relações promíscuas. E está aparecendo coisa do STJ também.
Tudo o que for apreendido, todo esse modus operandi com relação ao caso do Banco Master, tem que servir não apenas para passar a limpo essa situação, punir os responsáveis, mas também para criar mecanismos a fim de impedir que isso aconteça com outras pessoas. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
Ao comentar o padrão de convites e eventos bancados por interessados, Sakamoto disse que a linha do aceitável se rompe quando há benefícios que vão além do compromisso formal, como viagens em ambiente de luxo e extensão do convite a familiares.
Um ministro do Supremo não pode aceitar uma viagem para dar uma palestra no exterior num hotel de luxo, indo a uma festa com uísque e charuto cubano. Por quê? Porque isso não é de graça.
Não pode aceitar, não pode participar. O que a gente vê hoje não é educacional, é um grande festival de lobby. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
O Milton Leite não é o fim. Ele é uma parte desse novelo de lã que tem que ser desenrolado e ainda vai chegar a muita gente graúda. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
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