Ventosas grudam em quase tudo que encostam, mas uma substância na própria pele do polvo impede que seus braços passem o tempo inteiro presos uns aos outros
Estudo revela como sinais químicos da pele bloqueiam a aderência involuntária e ajudam os oito braços do animal a se movimentarem livremente
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Os oito braços do polvo possuem centenas de ventosas capazes de agarrar superfícies diferentes. Entretanto, uma substância presente na pele do polvo impede que essas estruturas grudem indiscriminadamente no próprio corpo, revelando um mecanismo químico de autorreconhecimento que funciona mesmo sem comandos diretos do cérebro.
Os polvos possuem braços extremamente flexíveis, capazes de dobrar, alongar e explorar espaços estreitos. Diferentemente dos vertebrados, esses membros não apresentam ossos que limitem suas posições. Essa liberdade facilita a captura de presas, mas cria um desafio: evitar que centenas de ventosas produzam contatos indesejados durante movimentos simultâneos.
O problema é ainda mais complexo porque parte significativa do controle motor acontece nos próprios braços. Redes nervosas periféricas coordenam respostas locais, reduzindo a necessidade de supervisão cerebral constante. Sem algum mecanismo de proteção, os movimentos poderiam provocar aderências involuntárias, dificultando tarefas simples como alimentação, deslocamento e exploração.
Pesquisadores descobriram que braços recém-separados do corpo continuavam reagindo aos estímulos, agarrando objetos próximos. Entretanto, não prendiam suas ventosas à pele de outros braços. Quando a pele era removida, a aderência reaparecia, indicando que o bloqueio dependia de uma característica específica da superfície corporal.
A equipe também utilizou recipientes revestidos com extratos químicos da pele. Os resultados demonstraram uma redução expressiva na força de fixação, sustentando a hipótese de que substâncias cutâneas inibem localmente o reflexo das ventosas.
O vídeo do canal científico Deep Look apresenta o funcionamento sensorial das ventosas e sua capacidade de detectar substâncias químicas.
As ventosas combinam força muscular, contato físico e percepção química. Seus receptores identificam características das superfícies tocadas, permitindo que o animal explore objetos e procure alimento. Quando determinadas substâncias associadas à pele são detectadas, ocorre uma inibição local da resposta automática de fixação.
Esse processo não significa que os braços possuam consciência independente. Trata-se de uma resposta fisiológica periférica, capaz de funcionar sem comunicação imediata com o cérebro central. Assim, o sistema nervoso distribui tarefas entre diferentes regiões corporais, simplificando o controle de movimentos extraordinariamente complexos.
O estudo original publicado na Current Biology , divulgado em maio de 2014, foi realizado por Nir Nesher, Guy Levy, Frank Grasso e Binyamin Hochner, vinculados a instituições de Israel e dos Estados Unidos. A pesquisa investigou experimentalmente como os braços evitam interferências durante movimentos.
Os cientistas compararam respostas a superfícies revestidas com pele, tecidos sem revestimento e materiais tratados com extratos químicos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.