'Máfia das próteses': Justiça condena empresário e vendedor por pagamento de R$ 524 mil em propina a médico em MG
Complexo de Saúde São João de Deus CSSJD/Divulgação A Justiça Federal condenou Marcello Telles de Souza Júnior e Marcos Flávio de Moura Barbosa por corrupção ativa em um esquema que envolveu o pagamento de cerca de R$ 524 mil em vantagens indevidas a um médico para garantir o uso de materiais hospitalares vendidos pela empresa Signus do Brasil.
A decisão é da 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte.
De acordo com a sentença, os repasses ocorreram entre janeiro de 2011 e janeiro de 2015 e estavam relacionados a procedimentos realizados nos hospitais São João de Deus, em Divinópolis, e Ibiapaba, em Barbacena, onde o cardiologista Augusto Lima Filho atuava.
Parte dos atendimentos era custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Os dois réus foram condenados por corrupção ativa cometida 46 vezes, em continuidade delitiva.
Após a aplicação dos benefícios previstos em acordos de colaboração premiada, cada um recebeu pena definitiva de um ano, um mês e 10 dias de reclusão, além de 14 dias-multa, em regime inicial aberto.
A prisão, entretanto, foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de cinco salários mínimos a uma instituição que ainda será indicada pela Justiça.
Os condenados poderão recorrer da sentença em liberdade. 🔍 O cardiologista Augusto Lima Filho, apontado na denúncia como destinatário dos pagamentos, também foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas firmou um "Acordo de Não Persecução Penal", e o processo contra ele passou a tramitar separadamente.
Por isso, o médico não foi condenado nesta decisão.
O g1 tenta contato com Marcello Telles de Souza Júnior, Marcos Flávio de Moura Barbosa e a empresa Signus do Brasil para um posicionamento.
Agora no g1 Como funcionava o esquema O processo é resultado da Operação Desiderato, que investigou um esquema de corrupção envolvendo fornecedores de órteses, próteses e materiais hospitalares e profissionais da saúde em Minas Gerais.
O caso ficou conhecido como "máfia das próteses".
Segundo a decisão, Marcos Flávio de Moura Barbosa, representante comercial da Signus do Brasil, e Marcello Telles de Souza Júnior, sócio-administrador da empresa, pagavam vantagens indevidas ao médico Augusto Lima Filho para que materiais comercializados pela empresa fossem utilizados nos procedimentos de hemodinâmica realizados nos dois hospitais.
Ainda conforme a sentença, os pagamentos eram feitos por meio da Angiolab Sociedade Médica Ltda., empresa da qual Augusto era sócio-administrador.
Para dar aparência legal aos repasses, foram emitidas 46 notas fiscais referentes a serviços que, de acordo com a Justiça, não foram prestados.
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