Ex-funcionário dos EUA admite tentar trocar dados secretos por cidadania
Um ex-especialista em segurança cibernética do governo dos Estados Unidos admitiu hoje, em um tribunal federal, que tentou trocar informações sigilosas por cidadania em um país aliado devido a divergências com o governo de Donald Trump. As informações são do jornal norte-americano The Washington Post.
Nathan Vilas Laatsch, de 29 anos, trabalhava na Agência de Inteligência de Defesa, órgão do Departamento de Defesa dos EUA. Sua função incluía monitorar ameaças internas no governo americano, de acordo com registros judiciais.
Laatsch se declarou culpado em uma acusação de fornecer informações de defesa para auxiliar um governo estrangeiro, uma infração à Lei de Espionagem. Ele não chegou a estabelecer contato com a nação estrangeira, mas documentos judiciais indicam que Laatsch enviou um e-mail oferecendo-se para fornecer documentos sigilosos.
O país para o qual Laatsch ofereceu ajuda não foi identificado em documentos judiciais públicos. Segundo o The Washington Post, duas pessoas com conhecimento da investigação disseram, sob condição de anonimato, que se tratava da Alemanha.
Autoridades dos EUA foram alertadas sobre as tentativas de contato de Laatsch em março de 2025. Um agente do FBI, disfarçado de representante do país estrangeiro aliado, manteve contato com Laatsch ao longo de várias semanas e combinou que ele deixasse materiais sigilosos em um parque nos arredores de Washington, D.C.
Em maio de 2025, Laatsch deixou um pen drive em um parque do Condado de Arlington. O dispositivo, que foi recuperado pelo agente, continha nove documentos digitados que reproduziam os registros sigilosos aos quais Laatsch havia tido acesso.
Oito dos documentos eram classificados como 'ultrassecretos'. Um deles "refletia métodos sensíveis de coleta de inteligência, inteligência relacionada a exercícios militares estrangeiros e análises do impacto desses exercícios militares".
Uma segunda entrega de documentos foi agendada para o final do mesmo mês, momento em que Laatsch foi preso. Na audiência de hoje, Laatsch deu respostas breves às perguntas do juiz, confirmando que entendia que estava renunciando ao seu direito de permanecer em silêncio e a um julgamento por júri.
O juiz federal Rossie D. Alston Jr. marcou a audiência de sentença para 27 de janeiro, no tribunal federal de Alexandria. Embora a infração preveja pena máxima de morte ou prisão perpétua, Alston afirmou, durante a audiência de hoje, que os promotores não pretendem solicitar essas penas "draconianas".
Segundo o FBI, Laatsch discordava do governo Trump. "Não concordo nem me alinho aos valores desta administração e pretendo agir em defesa dos valores que os Estados Unidos um dia representaram", escreveu ele em uma mensagem, segundo uma declaração juramentada do FBI. "Para esse fim, estou disposto a compartilhar informações classificadas às quais tenho acesso — incluindo produtos de inteligência finalizados, inteligência não processada e outras documentações classificadas diversas."
Imagens de segurança da estação de trabalho Laatsch mostraram como ele copiava informações sigilosas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.