PMs que liberaram motorista de Porsche após colisão com morte viram réus
A Justiça Militar recebeu denúncia contra dois policiais militares que liberaram o motorista de um Porsche após ele colidir contra o carro e matar um motorista de aplicativo, em São Paulo, em 2024.
Denúncia foi recebida na última quinta-feira (22). A 1ª Auditoria Militar Estadual aceitou a acusação apresentada pela Promotoria de Justiça Militar contra os dois PMs que atuaram no atendimento do caso, informou o MPSP (Ministério Público de São Paulo). Os nomes dos agentes não foram divulgados.
Acidente ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024, na avenida Salim Farah Maluf, na zona leste. A colisão matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana , de acordo com a denúncia. O condutor do Porsche era Fernando Sastre, que está preso pelo crime.
Promotoria acusa os policiais de descumprirem normas e procedimentos previstos para acidente de trânsito com vítima. Eles foram denunciados por inobservância de lei, regulamento ou instrução, na modalidade de tolerância, crime previsto no artigo 324 do Código Penal Militar.
Segundo a acusação, os PMs autorizaram que o motorista do Porsche deixasse o local após pedido da mãe dele. O condutor foi levado a um hospital e só se apresentou à autoridade policial 36 horas depois da colisão.
Para o Ministério Público de São Paulo, a decisão dos agentes prejudicou a apuração do caso e afetou a administração militar. A denúncia cita a falta de preservação do local, a não oferta de etilômetro ao motorista e o acionamento inadequado de uma das câmeras corporais portáteis.
Como os nomes dos PMs não foram divulgados pelo órgão, a reportagem não conseguiu encontrar as defesas para pedido de posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
Condutor do Porsche responde a um processo por homicídio doloso na Justiça. O caso tramita na 5ª Vara do Júri da Capital, segundo a denúncia.
Júri popular do motorista do Porsche está previsto para ocorrer amanhã no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Ele é réu por homicídio doloso (quando há intenção de matar) qualificado e lesão corporal. A previsão para que se encerre o julgamento é de dois dias.
Júri deve ouvir 13 pessoas, entre testemunhas de acusação e defesa. Entre os convocados está Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no banco do passageiro de Sastre e sobreviveu à colisão.
A colisão ocorreu em março de 2024, na avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo. O impacto matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana e deixou ferido Marcus Vinicius, que estava no carro do empresário.
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) acusa Sastre de dirigir embriagado e em alta velocidade. A perícia apontou que o Porsche estava a 156 km/h momentos antes do impacto, em um trecho com limite de 50 km/h.
Sastre se entregou horas após a batida e está preso desde 1º de abril de 2024. Ele esteve preso em Tremembé antes de ser transferido para Potim por decisão da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo.
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