Direita brasileira: ou castra ou liga as trompas (por Felipe Sampaio)
Engana-se quem pensa que as frases mais absurdas produzidas por brasileiros ’importantes’ já foram trazidas a público.
Dessa vez, o estado de Pernambuco foi o palco de mais uma verborreia eleitoral de direita, digna de registro histórico, seja por sua gravidade em si, seja pelo risco que representa para os valores democráticos e humanos.
De onde menos se espera é que não sai nada mesmo.
Veja o caso do candidato a presidente da república da extrema direita, que esteve em Recife brandindo um facão típico dos cangaceiros e desatinou a berrar que vai fazer castração química em estupradores.
Coisa de talibã tropical.
O episódio é, no mínimo, curioso em dois aspectos.
Primeiro, porque ele não teria tempo, como presidente, de usar o facão dele nos 84 mil autores de estupros registrados em 2025 no Brasil (mais de 200 por dia).
Segundo, porque não é ele quem decide sobre tal providência, mas sim o Parlamento.
E, antes, é preciso reconhecer que a violência contra mulheres é uma questão política e cultural de fundo econômico.
Esse tipo de violência foi naturalizado na cultura nacional, cantado em sambinhas divertidos como “… você bateu na minha nega… não é direito bater numa mulher que não é sua”.
Será que, ao ameaçar castrar o estuprador, o que o candidato pretende é realmente proteger as mulheres, ou seria um passo para reeditar legislações que justifiquem a “legítima defesa da honra”, ou a criminalização do adultério, por exemplo? Essa história de “dente por dente” e de “tolerância zero”, no final das contas, acaba servindo aos interesses dos grupos dominantes, seja nas arábias, seja em Nova York.
É carta branca para a violência de Estado.
Também em Pernambuco, foi divulgado esses dias um vídeo da candidata à reeleição, sugerindo a ligadura de trompas em mulheres (pobres, é claro) que cheguem para dar a luz em hospitais (públicos, naturalmente), sem que elas saibam, como forma de controle populacional (de pobres, é óbvio).
Certamente a medida não alcançaria ricas brancas em hospitais particulares.
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