Falta de dragagem no Tapajós pode causar prejuízo de R$ 850 milhões
Ofício enviado ao governo por 30 entidades do setor produtivo classifica a manutenção no rio como “urgente” diante da chegada do El Niño
Ofício enviado nesta 6ª feira (28.ago.2026) ao Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) afirma que a falta de dragagem no Rio Tapajós , no Pará, pode causar prejuízos de até R$ 850 milhões . O documento foi encaminhado por um grupo com mais de 30 entidades do setor produtivo, liderado pela FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária).
A carta classifica a medida como “urgente” diante da formação do El Niño, que deve reduzir as chuvas na região Norte e provocar queda no nível dos rios. Empresas que atuam na região projetam que, sem a dragagem, a navegabilidade ficará cada vez mais prejudicada, sobretudo a partir de setembro, e as atividades no rio podem ser interrompidas por até 4 meses, colocando em risco o transporte de milhões de toneladas de grãos.
A dragagem consiste na retirada de sedimentos, como areia e outros materiais acumulados no leito do rio, para preservar as condições de navegação. Quanto menor o nível de um rio, menor é a margem de segurança entre o fundo de uma embarcação e o leito, limitando a quantidade de carga que pode ser transportada e, em situações mais críticas, impedindo a navegação.
A hidrovia do Tapajós faz parte do chamado Arco Norte e é usada para escoamento da produção pelos portos das regiões Norte e Nordeste. As companhias afirmam que restrições à navegação na região podem elevar custos logísticos e diminuir a produtividade e a competitividade, já que será necessário recorrer ao transporte rodoviário, mais caro e poluente e com menor capacidade de carga. Atualmente, ao menos 14 empresas atuam na área com operações navegação e terminais hidroviários.
Segundo o ofício, a logística alternativa poderia custar de R$ 150 a R$ 250 por tonelada. O documento estima ainda redução de até 5 milhões de toneladas no escoamento de grãos e emissão adicional de 55.000 toneladas de carbono. Há ainda no setor de hidrovias preocupação com os empregos que são gerados pela navegação na região. A projeção é que uma eventual paralisação impactaria de 10 mil a 13.000 postos de trabalho.
A dragagem do Tapajós está no centro de um impasse entre o governo, o setor produtivo e as populações indígenas que vivem na região. Em julho, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu realizar 0 procedimento, mas a medida encontrou forte resistência de representantes de povos indígenas da região. Os líderes das comunidades locais defendem a necessidade de licenciamento ambiental e uma consulta prévia antes da intervenção.
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