FPA vê reflexos do endividamento na atividade do agro em julho
A agropecuária recuou 1,2% em julho e puxou para baixo o resultado da atividade econômica brasileira, que caiu 0,2% no mês, segundo o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) .
Os dados foram divulgados pelo Banco Central na quarta-feira (16).
O IBC-Br é considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto) e busca acompanhar a evolução da atividade econômica antes da divulgação dos dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) .
A próxima divulgação ocorrerá em dezembro.
No trimestre encerrado em julho, o setor também apresentou retração, de 0,6%, na comparação com os três meses anteriores.
"Prévia do PIB": IBC-Br cai mais do que o esperado em julho Exclusivo: Fusões no agro caem 60%, mas negócios maiores avançam Produção agrícola bate recorde de R$ 927,2 bilhões em 2025, diz IBGE Para a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), o resultado ocorre em um momento de pressão sobre o setor, marcado pelo endividamento dos produtores, juros elevados e dificuldades na renegociação de dívidas rurais.
A entidade tem apontado problemas na implementação da Medida Provisória 1376/26, que trata da renegociação de dívidas do setor.
Entre os entraves citados estão a exigência de laudos para comprovar perdas, custos adicionais, revisão de garantias e cobrança de entrada de produtores que já enfrentam dificuldades financeiras.
Segundo a FPA, a carteira de crédito rural chegou a R$ 881,7 bilhões em julho.
Desse total, R$ 207,4 bilhões, ou 23,5%, correspondiam a operações consideradas problemáticas, como atrasadas, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.
A vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que o setor vive um momento de pressão por causa da combinação de juros altos, dificuldades de crédito e endividamento.
“Hoje o agro, apesar de toda a pujança, de puxar o PIB brasileiro, vive um momento muito difícil.
As fábricas de máquinas agrícolas não estão vendendo, os produtores não estão conseguindo comprar os fertilizantes pelo preço.
E nós temos aí um problema dos juros que são altíssimos.
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