Mudança dos EUA sobre Malvinas teria efeito limitado, segundo especialistas
Uma possível revisão do apoio dos Estados Unidos ao Reino Unido na disputa pelas ilhas Malvinas teria efeito concreto limitado, avaliam especialistas consultados pelo jornal argentino La Nación.
Donald Trump afirmou que sua administração pode rever a posição americana sobre a disputa de soberania das ilhas. O presidente dos EUA disse que sempre revisa "todas as posições" e que essa é "apenas uma entre muitas".
Especialistas se mostram céticos em relação às promessas do presidente americano. Mesmo que Trump realmente mude sua posição, suas ações não se traduziriam necessariamente em medidas institucionais nem teriam impacto nas negociações entre as partes envolvidas no conflito.
Ricardo Lagorio, ex-embaixador argentino na ONU, afirma que uma mudança americana não altera a situação jurídica das Malvinas. "Enquanto o Reino Unido não aceitar sentar para negociar a soberania, não haverá modificações de fato, de importância, sobre as ilhas Malvinas", disse. "O apoio de Trump é importante, mas não altera a situação jurídica das Malvinas".
Lagorio acredita que 'retirar o apoio [ao Reino Unido] não significa nada'. Por outro lado, o reconhecimento da soberania argentina daria ao país maior "força" para pressionar o Reino Unido.
Para Mariana Altieri, especialista em geopolítica, um pedido americano por negociação manteria a neutralidade atual do governo Trump. O reconhecimento da soberania argentina teria peso político, mas não obrigaria Reino Unido e Argentina a abrir uma discussão bilateral.
Os EUA não integram o Comitê de Descolonização da Organização das Nações Unidas (ONU), onde a Argentina renova anualmente sua reivindicação sobre as ilhas. O órgão pede que os dois países negociem uma solução para a disputa.
O Reino Unido reafirmou sua soberania sobre as Malvinas e classificou sua posição como 'claríssima'. Especialistas avaliam que uma declaração de Trump pode aumentar a resistência britânica a negociar.
Trump também pode tratar do assunto na Assembleia Geral da ONU, que começa no fim de setembro. Analistas consideram improvável que ele se pronuncie e não esperam efeito direto nas negociações, mesmo se isso ocorrer.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.