O peso de Olavo de Carvalho em um bolsonarismo sob Flávio
Menos de uma semana após o primeiro turno da eleição, na qual o presidente Lula chegou atrás de Flávio Bolsonaro (PL), um abatido assessor do líder petista admitiu, reservadamente, que vinha lendo as obras completas de Olavo de Carvalho. "No original", disse, piadista, a guisa de grau de esforço. O servidor do Planalto queria entender a mente que se tornara referência ideológica para o bolsonarismo há cerca de uma década.
O escritor, astrólogo, influencer digital e autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho morreu em 2022, na Virginia (EUA), onde viveu por mais de uma década. Antes disso, porém, ele deixou um séquito de milhares de alunos formados em suas premissas de guerra cultural, combate ao marxismo cultural, crítica ao que chamava de globalismo, ao socialismo, ao impacto do Estado na liberdade de iniciativa individual, ao mesmo tempo em que não abraçava o Estado Mínimo e criticava os oligarcas do capitalismo. Conservador e reacionário, era também um negacionista das mudanças climáticas, um expoente antivacina e um cético de várias descobertas científicas, como a conexão entre o tabagismo e o câncer de pulmão.
Em janeiro de 2019, o peso de Olavo de Carvalho na composição do governo Jair Bolsonaro era comparável a dos militares e dos ruralistas, e superava o peso da bancada evangélica, que tinha sido crucial na vitória eleitoral do ex-capitão e a quem coubera apenas a pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos.
Olavo então ocupava, por meio de seus alunos, postos no Palácio do Planalto (Filipe Martins) e em três ministérios: Educação (Ricardo Vélez) , Relações Exteriores (Ernesto Araújo) e Economia (Adolfo Sachsida). Mas quando ele morreu, 4 anos mais tarde, recusava o título de guru de Bolsonaro, a quem àquela altura chamava de "burro" e "fraco".
Ainda assim, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, outro de seus discípulos, diz que ele segue sendo uma referência política e filosófica no movimento bolsonarista — e qualifica como "sagaz", ainda que tardio, o esforço do auxiliar de Lula. "Pode ser útil para eleição de 2030. Eu mesmo vivo vendo cortes do Zé Dirceu no Opera Mundi", disse Eduardo, citando o ex-guerrilheiro e ex-dirigente petista.
Além dos cursos e vídeos online, Eduardo me contou que, das obras olavistas, leu "O Mínimo Que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota" e "O Imbecil Coletivo", além de "Maquiavel ou a Confusão Demoníaca", a crítica de Olavo sobre "O Príncipe", clássico político de Nicolau Maquiavel. Mas reconhece que o impacto do ideólogo variou entre os diferentes integrantes da família.
"Eu sempre fui um cara mais de guerra cultural, mais ideológico, acompanhava o programa, fazia propaganda dos livros do Olavo. Fiquei muito inspirado. Já Flávio, nem tanto.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.