Defesa faz perícia em HD de celular de Vorcaro e vê inconsistências
Laudo preparado para advogados que defendem fundador do Banco Master aponta falhas no que foi divulgado até agora e pede acesso ao aparelho original
A defesa de Daniel Vorcaro , fundador do Banco Master, contratou um perito para fazer uma análise dos dados do celular do ex-banqueiro fornecidos pelo Supremo Tribunal Federal. O laudo afirma ter identificado diversas inconsistências e abre caminho para que a defesa de Vorcaro sustente ter havido manipulação dos dados. Leia a íntegra (PDF – 14,9 MB).
O documento aponta lacunas na documentação da cadeia de custódia e afirma que o material entregue à defesa não permite verificar a integridade e a integralidade dos dados extraídos. O perito identifica registros de criação e modificação de arquivos do iPhone 17 Pro do ex-banqueiro em datas posteriores à apreensão do aparelho.
O laudo é assinado pelo perito Marcos Monteiro e foi entregue em 26 de outubro. Ele examinou um HD entregue pela equipe de defesa com arquivos fornecidos pelo STF. O documento afirma ter identificado, entre outras, as seguintes inconsistências:
O laudo considera haver lacunas sobre a extração dos dados do iPhone 17. O perito diz que PF falhou ao não informar a versão do software GrayKey usada para fazer a extração dos arquivos, o que impede que a defesa compreenda as limitações da versão utilizada.
O laudo afirma também que o arquivo disponibilizado pelo STF, com a extensão UFDR, é derivado do processamento dos dados extraídos e “está sujeito à seleção e delimitação dos conteúdos a serem incluídos, de acordo com os critérios definidos pelo responsável por sua geração”.
A defesa do ex-banqueiro não teve acesso os arquivos brutos do celular resultantes da extração forense, o que seria necessário para comparar os dados apresentados com o conteúdo originalmente coletado.
O perito afirma que o arquivo UFDR admite modificações de forma relativamente simples, sem que, necessariamente, sejam produzidos sinais evidentes de adulteração perceptíveis em uma análise superficial.
Para demonstrar isso, o perito selecionou uma mensagem no celular de Vorcaro atribuída ao contato “Darlene Munroe”. Originalmente, o registro apresentava o conteúdo “Whataya mean its JB? I’m a little slow today” . Por meio da edição direta de um arquivo chamado “report.xml”, esse conteúdo foi substituído pela mensagem “A mercadoria foi entregue hoje!!” .
O alteração foi salva e o arquivo UFDR, refeito. Uma vez aberto pelo software de análise de dados, a mensagem anterior passou a apresentar o conteúdo modificado sem sinais evidentes de adulteração, segundo o perito.
O laudo afirma que a ausência do arquivo bruto extraído do celular afronta a Súmula 14 do STF e impede o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.poder360.com.br — o conteúdo pertence a Poder360.