Paulo Angioni, um homem que ensina como tratar o artista jogador de futebol
O maior atestado de integridade de Paulo Angioni foi partir neste sábado morando no Grajaú, na zona norte do Rio de Janeiro, precisando e, sobretudo, podendo trabalhar com futebol. Para quem foi diretor executivo no Vasco, de Eurico Miranda, no Flamengo, com Kléber Leite, no Palmeiras da Parmalat, no Corinthians, com Banco Exxel, não ter saído de sua origem e poder apresentar sua declaração de Imposto de Renda é um símbolo de honestidade.
Paulo Angioni era psicólogo de formação e começou a transformar a relação com os artistas que frequentam vestiários, os craques.
Cada com formação diferente, cada um vindo de um lugar distante, com sotaques e costumes distintos. Angioni sabia acarinhar quem precisava de carinho, proteger quem necessitava de proteção, ser firme com quem tinha de ser cobrado por profissinalismo.
De Romário, a quem auxiliou no início de carreira, a Felipão, sobre quem é possível dizer que ajudou a transformar a carreira. Em 1998, depois de ser vice-campeão brasileiro, o Palmeiras vivia crise com o técnico do penta. Gianni Grisendi, presidente da Parmalat no Brasil, convocou Angioni para uma reunião na sede da multinacional, na avenida Juscelino Kubtischek, zona sul da cidade.
Era uma sexta-feira, o diretor-executivo saiu da Academia de Futebol, na zona oeste, apanhou trânsito na Marginal Pinheiros, entrou na sala do prédio da Juscelino e deu de cara com Mustafá Contursi, presidente palmeirense. Grisendi enviou recado depois de meia hora, dizendo que a solução era entre os dois que mandavam no futebol do Palmeiras.
Mustafá queria demitir Felipão. Angioni disse não. Um mês depois, Scolari ganhou a Copa do Brasil e, no ano seguinte, a Libertadores. Antecessor de Paulo Angioni no Palmeiras, Paulo Russo havia substituído José Carlos Brunoro na direção da Parmalat afirmando que sua diferença era ser mais sanguíneo. Felipão precisava do diálogo. Angioni ajudou muito.
No final da vida, foi grato, muito grato ao presidente Mario Bittencourt, do Fluminense, que resitiu ao etarismo e manteve Angioni na direção de futebol do clube. Aos 77 anos, retribuiu entrando no vestiário de Fernando Diniz e ajudando a ganhar a Libertadores de 2023.
Voltou da Argentina, depois de Independiente Rivadavia 1 x 1 Fluminense. Isolou-se com uma virose, descobriu pouco depois um tumor agressivo. Resistiu bravamente à cirurgia, parecia em fase de recuperação rápida, mas partiu na madrugada deste sábado, quando se preparava para voltar para sua casa, na zona norte do Rio.
Partiu como sempre quis fazer, trabalhando com futebol e perto de ajudar o Fluminense a chegar a outra semifinal de Libertadores.
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