Indígenas fazem oficina no AC para ampliar biblioteca com grafismos
A Aldeia Arco-Íris, na Terra Indígena Seringal Independência, em Jordão, recebe a partir deste sábado (10) a 2ª Oficina de Kene, nova etapa do projeto Biblioteca de Kene, criado por alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Universidade Federal do Acre (Ufac).
As atividades seguem até a próxima sexta-feira (16) e reúnem mestras tecelãs e jovens aprendizes do povo Huni Kuin.
Nos sete dias de oficina, as participantes vão trabalhar na preparação de fios, em cantos rituais, na aplicação do Bawe e na tecelagem de painéis com grafismos.
Todas as etapas serão registradas para integrar o acervo da biblioteca na aldeia e o site colaborativo do projeto, cuja gestão do conhecimento fica sob responsabilidade das próprias mulheres da comunidade.
O Biblioteca de Kene foi criado em 2024 e reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital que pode ser acessada pelo celular.
A proposta é oferecer um espaço de consulta, ensino e aprendizagem dos mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres Huni Kuin, voltado tanto às jovens quanto às mestras tecelãs.
A iniciativa tem origem em duas pesquisas acadêmicas.
A primeira é o trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin na Licenciatura Indígena, orientado pelo professor Amilton Pelegrino de Mattos, que estudou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade do povo Huni Kuin.
A segunda é a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Artista visual e hoje doutoranda, Alexandra contribuiu com uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida em conjunto com as mulheres da aldeia.
O projeto segue a ideia de que “a universidade é na aldeia”, formulada pelo professor e pesquisador Yube Huni Kuin, que também é acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac.
A experiência considera o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.
A oficina é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris.
A ação tem apoio do curso de Licenciatura Indígena da Ufac, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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