Rússia diz que ‘confisco’ de ativos da Nestlé e da Auchan é retaliação à Europa
A Rússia afirmou, nesta sexta-feira (18), que as ações de países europeus considerados hostis por Moscou influenciaram a decisão do governo de assumir o controle dos ativos russos da Nestlé e da varejista francesa Auchan.
A medida foi determinada por decreto do presidente Vladimir Putin e representa a ação mais relevante contra empresas ocidentais desde a tomada dos ativos da francesa Danone e da dinamarquesa Carlsberg, em 2023.
“Estamos falando de empresas europeias de países hostis”, disse Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.
Segundo ele, esses países estão “atualmente envolvidos da maneira mais ativa em ações militares contra nosso país”.
Peskov não citou nominalmente França ou Suíça.
A Rússia, porém, considera que países ocidentais que fornecem armas à Ucrânia, como a França, são, na prática, partes do conflito.
A Suíça não fornece armas à Ucrânia, mas impôs sanções contra a Rússia desde o início da guerra.
O governo suíço manifestou preocupação com a decisão de Putin e afirmou que está apoiando a Nestlé em seus esforços para reverter a medida.
A Nestlé, dona de marcas como Nescafé e KitKat, disse que está avaliando a situação.
“A Nestlé está empenhada em tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações comerciais no interesse de todas as partes envolvidas, especialmente seus funcionários”, afirmou a companhia em comunicado.
A empresa não detalhou quais medidas pretende tomar.
As ações da Nestlé chegaram a cair 2,4% nesta sexta-feira.
Rússia amplia controle sobre empresas estrangeiras A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões entre Rússia e Europa.
Governos europeus acusam Moscou de conduzir uma campanha de sabotagem no continente, enquanto o governo russo nega as acusações.
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