Com IA e eleições, decisão da Meta de trocar jornalistas por usuários na checagem alerta América Latina
A Meta decidiu substituir verificadores profissionais por usuários anônimos na checagem de conteúdos em suas plataformas na América Latina, medida que especialistas consideram arriscada em meio ao avanço de vídeos e imagens fabricados por inteligência artificial. A mudança ocorre enquanto países da região, incluindo o Brasil, enfrentam campanhas eleitorais marcadas por forte risco de manipulações digitais e fake news.
A decisão da Meta de substituir verificadores profissionais por usuários anônimos na checagem de conteúdos em suas plataformas ocorre em um momento de forte preocupação com a circulação de notícias falsas em períodos eleitorais . No Brasil, onde a disputa municipal deste ano já mobiliza redes de desinformação e ferramentas de inteligência artificial capazes de fabricar vídeos, áudios e imagens com aparência realista, especialistas alertam que a mudança pode ampliar a vulnerabilidade do público.
A empresa pretende implantar na América Latina o sistema de "notas da comunidade", já testado nos Estados Unidos, e que reduz o papel de verificadores independentes.
Laura Sanabria, editora do "Detector de Mentiras" do site colombiano La Silla Vacía e integrante da Junta de LatamChequea, afirma que a substituição dos verificadores profissionais por colaboradores voluntários tende a enfraquecer o combate à manipulação digital . "Nossa tarefa consiste em monitorar, no caso de Facebook, Instagram e Threads, os conteúdos potencialmente desinformadores que podem estar circulando e verificá-los, produzir um artigo jornalístico com metodologia clara e classificar esses conteúdos em diferentes níveis, que vão desde algo completamente falso até um alerta de que se trata de material feito com inteligência artificial, uma possível fraude, algo que carece de contexto. Também alertamos a plataforma para que tome as medidas que considerar necessárias. É o Facebook que decide se coloca etiquetas, se reduz o alcance pelo algoritmo ou se suspende ou bloqueia uma conta."
A rede de verificadores profissionais foi criada pela própria Meta há dez anos e remunera mais de 80 veículos em diferentes países, incluindo a AFP. A empresa agora pretende reduzir custos e transferir a verificação para usuários voluntários, como já ocorre na rede X. Segundo Sanabria, o modelo não tem demonstrado eficácia. "Hoje, como as notas da comunidade precisam ser avaliadas por pelo menos duas pessoas de perfis diferentes e que já tenham avaliado conteúdos distintos, o que observamos nos estudos feitos no X é que essas notas só se tornam públicas quando o conteúdo já deixou de ser viral. Ou seja, a nota aparece para todos quando já passaram as 48 horas cruciais de uma publicação. O efeito é ainda pior, porque a nota chega tarde demais."
Sanabria afirma que o trabalho dos verificadores profissionais produz impacto mais rápido e mais consistente. "O conteúdo que nós, verificadores independentes, analisamos costuma gerar algum tipo de mudança de comportamento, por exemplo nas contas que compartilham informações falsas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.