Fazendas fantasmas acendem alerta em meio a R$ 256 bilhões em operações problemáticas
A existência de fazendas fantasmas, imóveis rurais que não existem na prática ou apresentam irregularidades nos registros, acende um alerta para os credores do agronegócio em meio ao avanço das dificuldades financeiras no setor.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) estima que o agro tenha R$ 256 bilhões em operações atrasadas, inadimplentes, renegociadas ou prorrogadas, com base em dados de abril de 2026.
O risco é que, ao tentar recuperar os recursos emprestados, bancos e outros credores descubram que as propriedades oferecidas como garantia não correspondem às áreas registradas ou se sobrepõem a terras de terceiros, glebas públicas e até leitos de rios.
O alerta é de Patrick Lüdtke, CPO da Axioma Intelligence, que assessora investidores na compra de fazendas em leilões e na análise de imóveis rurais em situação de estresse financeiro.
O problema já é alvo de investigações policiais.
Em 2025, a Polícia Federal (PF) deflagrou no Pará a Operação Imperium Fictum, que mirou um grupo suspeito de criar fazendas fictícias com matrículas vinculadas a uma gleba federal em Anapu.
Segundo documentos da investigação obtidos pela Repórter Brasil, os imóveis eram vendidos ou oferecidos como garantia de empréstimos.
Com base nesses registros, bancos teriam liberado mais de R$ 8,4 milhões em financiamentos.
Em agosto de 2026, a Operação Canadá, da Polícia Civil de Mato Grosso, apurou outro possível esquema.
Segundo a investigação, o desenho de uma fazenda no Cadastro Ambiental Rural (CAR) foi deslocado eletronicamente para outra região do estado.
O cadastro suspeito teria servido de base para uma avaliação de R$ 84 milhões, apresentada em tentativas de obtenção de crédito.
Garantias podem não corresponder à realidade As inconsistências também podem envolver áreas registradas em sistemas ambientais.
Em 2025, o jornal O Globo mostrou, com dados do Monitor do Crédito Rural do MapBiomas, que um imóvel no Pará que recebeu R$ 4,6 milhões em crédito rural em 2021 aparecia no CAR sobre o leito do Rio Araguaia.
Segundo uma organização citada pela reportagem, o registro havia sido deslocado cerca de 30 quilômetros para dentro do rio em 2024.
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