Relatório identifica milhares de resultados atípicos no Provão Paulista, que seleciona para universidades públicas
Provão Paulista SP sendo aplicado em SP Seduc-SP/Arquivo Uma análise dos resultados das três primeiras edições do Provão Paulista aponta a ocorrência de possíveis fraudes de natureza sistêmica nas provas realizadas.
O estudo identificou milhares de desempenhos considerados estatisticamente atípicos entre estudantes da rede estadual de São Paulo, com concentração em determinadas escolas e regiões do estado, em 2024 e 2025. 🔍O Provão Paulista é um vestibular seriado voltado a alunos matriculados na rede pública de ensino.
Os estudantes fazem o exame em todos os anos ao longo do ensino médio.
Isso quer dizer que um aluno que está no 1º ano em 2026 precisará fazer a prova em 2027 e 2028.
Só então sua nota final, baseada no desempenho das três edições, será calculada para a disputa por uma vaga na graduação.
O relatório está na Nota Técnica “Fraude sistêmica no Provão Paulista e consequências para os processos seletivos de instituições públicas de Ensino Superior”, produzida pela Rede Escola Pública e Universidade (REPU) divulgado nesta sexta-feira (4).
Em nota, a Secretaria da Educação enfatizou que os dados apresentados no estudo não permitem sustentar a conclusão de ocorrência de fraude sistêmica no Provão Paulista nem de comprometimento do processo seletivo.
"Associar resultados estatisticamente atípicos à ocorrência de fraude, sem evidências individualizadas que estabeleçam essa relação, é uma correlação temerária e que extrapola o que os próprios dados permitem afirmar", afirmou (veja nota completa abaixo).
Os pesquisadores explicam que analisaram microdados das edições de 2023, 2024 e 2025 do Provão Paulista, obtidos da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) por meio da Lei de Acesso à Informação.
Os resultados foram cruzados pelos pesquisadores ainda com dados de bonificações pagas a profissionais da rede estadual e com listas de estudantes convocados para instituições públicas de Ensino Superior a partir do desempenho no exame.
O principal achado aparece na comparação do desempenho dos mesmos estudantes ao longo das diferentes edições do exame.
Os pesquisadores classificaram como atípicas variações de desempenho consideradas extremamente improváveis de um ano para outro.
O critério, no entanto, é estatístico e não permite afirmar que um determinado estudante tenha fraudado a prova.
Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP e um dos responsáveis pelo estudo explica o porquê.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Educação.