Crise no STF reativa 'guerra espiritual' em redes evangélicas bolsonaristas
A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) envolvendo o caso Master reconfigurou o debate político nas redes sociais evangélicas ligadas ao bolsonarismo, promovendo a reativação da chamada "guerra espiritual", segundo relatório de monitoramento elaborado pela Casa Galileia e pelo Instituto Democracia em Xeque, entre 31 de agosto e 13 de setembro.
A análise aponta que as redes ligadas ao bolsonarismo engajaram nove vezes mais do que os perfis evangélicos de esquerda.
O estudo mostra que estes grupos bolsonaristas construíram a narrativa de que o ministro André Mendonça seria um "escolhido de Deus e uma "resposta a orações" por justiça. Ao mesmo tempo, ganhou força entre lideranças religiosas a articulação de novos apoios a Flávio Bolsonaro (PL).
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Em contraposição a Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes passou a ser associado a um adversário moral e espiritual. Nas publicações analisadas, Moraes foi rotulado com termos como "autoritário" e "corrupto", além de ser representado como uma figura demoníaca em ilustrações e vídeos.
A análise monitorou 573 perfis no Instagram, YouTube, X, TikTok e Facebook, somando 26.762 publicações e 189 milhões de interações no período.
As lideranças identificadas com a direita e o bolsonarismo no grupo dos 20 perfis mais influentes somaram 63,2 milhões de interações sobre o tema. Já no espectro da esquerda, os perfis presentes no top 20 alcançaram 7,1 milhões de interações no mesmo período.
O relatório aponta que, entre os grupos bolsonaristas, "além das declarações de apoio [a André Mendonça], também se intensificou uma campanha contra o voto em Lula, com mensagens diretas de 'LULA NÃO'".
Por outro lado, a análise indica que "a comunicação das esquerdas evangélicas no período combina forte mobilização eleitoral e confronto direto com o bolsonarismo com uma disputa pelo significado político da fé".
O levantamento destaca que, antes do conflito entre Mendonça e Moraes no Supremo, os posicionamentos eleitorais relacionados à fé evangélica ocorriam de forma discreta e não dominavam o debate público.
"O que muda nesse momento é que o bolsonarismo volta a acionar de forma mais explícita uma gramática religiosa para interpretar a conjuntura política", explica Andréa Laís, coordenadora de pesquisa e assessora de campanhas da Casa Galileia.
Para a pesquisadora, a crise reativou a narrativa de guerra espiritual sem colocar apenas Mendonça como protagonista. "Ela apresenta a oração da igreja brasileira como parte do cumprimento dessa profecia, dando aos fiéis um papel ativo nessa disputa", afirma.
"Isso também parece aquecer uma mobilização eleitoral que vinha mais tímida em torno de Flávio Bolsonaro, com apoios que voltam a aparecer de forma mais explícita e articulados a essa leitura religiosa da política", acrescenta a especialista.
Ela pontua ainda que, impulsionadas pela crise no STF, lideranças religiosas como Silas Malafaia, Cláudio Duarte e Valnice Milhomens voltaram a ganhar protagonismo, juntando-se a figuras políticas que vinham dominando o alcance nas redes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.