Calor extremo aumenta mais de 3 °C na Amazônia em 42 anos, aponta pesquisa
Foto: Governo do Amazonas Uma área de mais de 700 mil quilômetros quadrados no centro-norte da Amazônia, quase o tamanho do Chile, registrou um aumento de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981.
Nesse território, a elevação foi de, no mínimo, 0,75 °C por década, revela pesquisa publicada na última quinta-feira (10) na revista Communications Earth & Environment por um grupo de 53 cientistas internacionais, incluindo brasileiros.
O ritmo é superior ao aumento de 0,2 °C por década observado na temperatura média anual da floresta tropical.
Os resultados mostram que o clima do bioma não está mudando de forma homogênea: enquanto o sul da Amazônia apresenta aquecimento médio acelerado, é no centro-norte, distante do arco do desmatamento, que as temperaturas extremas e o déficit hídrico avançam mais rapidamente.
Segundo o estudo, isso indica que o fenômeno não pode ser atribuído somente à perda florestal, principal vetor de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, mas também à influência das mudanças climáticas globais.
Nesse cenário, os cientistas destacam a preocupação com a expectativa de que o El Niño deste ano seja o mais intenso já registrado, podendo levar a Amazônia a sofrer novamente com temperaturas elevadas e secas extremas dois anos após a última grande estiagem, ocorrida em 2024.
O trabalho reforça ainda a urgência de reduzir as emissões e adotar medidas de mitigação e adaptação, incluindo a conservação de trechos de florestas nativas, o combate ao desmatamento e o incentivo à restauração florestal.
“Os dados apontam para extremos cada vez mais críticos e acelerados.
E, quando se manifestam, há uma deterioração com impactos sociais, ambientais e econômicos profundos.
Ao falarmos de perda de biodiversidade e de mudanças dos ecossistemas, é importante fazermos a relação com os impactos nos sistemas de produção de alimentos, na saúde e no dia a dia das pessoas”, diz a pesquisadora da Divisão de Observação da Terra e Geoinformática (DIOTG) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Liana Anderson.
Para o pesquisador do Inpe Luiz Aragão, que também faz parte do grupo, um dos pontos de atenção é o aumento de eventos extremos em uma região considerada resistente e resiliente às mudanças climáticas.
“A parte central e norte da Amazônia enfrenta poucos distúrbios antrópicos [causados pela ação humana], como desmatamento e queimadas, quando comparada à fração leste e sul”, complementa Aragão.
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