Por que pequenos prazeres não bastam para ser feliz? 'Homem mais feliz do mundo' explica
Um café tomado com calma, o cheiro de uma comida que acabou de sair do forno, um banho quente depois de um dia cansativo ou alguns minutos observando o pôr do sol. Quando falamos sobre felicidade, é comum pensar justamente nesses pequenos prazeres que tornam a rotina mais agradável. Eles têm seu valor, mas talvez não sejam sinônimo de felicidade.
Essa é uma das reflexões de Matthieu Ricard , monge budista francês que ficou conhecido internacionalmente como "o homem mais feliz do mundo". Para ele, existe uma diferença importante entre experimentar prazer e construir um estado mais profundo e duradouro de bem-estar.
"É bom, mas é bem diferente" , afirmou Ricard ao The Guardian ao explicar a distinção. A ideia não é abandonar aquilo que nos dá alegria no cotidiano. Pelo contrário. A questão é entender por que essas experiências, sozinhas, dificilmente conseguem sustentar nossa felicidade no longo prazo.
Imagine sair de uma caminhada no frio e encontrar um banho bem quente. Naquele momento, a sensação provavelmente será extremamente agradável. Agora imagine permanecer debaixo da mesma água quente durante um dia inteiro. "Não há absolutamente nada de errado em tomar uma ducha quente depois de caminhar na neve. Mas se você ficar 24 horas debaixo de um chuveiro quente, não vai gostar", exemplifica Ricard.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a diversas experiências. Uma comida deliciosa deixa de proporcionar o mesmo prazer depois de muitas porções. Uma música favorita pode cansar quando repetida continuamente. Até momentos de descanso perdem parte do encanto quando deixam de ser uma pausa e passam a ocupar todo o tempo.
Isso acontece porque o prazer é fortemente influenciado pelas circunstâncias e tende a ser temporário. Aquilo que provoca uma sensação agradável agora pode se tornar neutro, indisponível ou até incômodo em outro momento. E é justamente nesse ponto que Ricard diferencia prazer de felicidade.
Para o monge, a felicidade genuína está mais próxima do conceito de eudaimonia, palavra de origem grega relacionada a uma vida marcada por bem-estar, realização e desenvolvimento humano.
Não significa viver permanentemente alegre, ignorar problemas ou eliminar emoções desagradáveis. Trata-se de desenvolver uma estabilidade interna que não dependa completamente daquilo que acontece do lado de fora.
Isso explica por que alguém pode experimentar tristeza e, ainda assim, sentir que possui uma vida significativa. Da mesma maneira, uma pessoa pode acumular experiências prazerosas e continuar insatisfeita.
Ricard associa esse bem-estar mais profundo ao desenvolvimento de características como "benevolência, força interior, liberdade interior para que você não seja tão frágil diante dos altos e baixos, discernimento" . A proposta é construir recursos internos capazes de permanecer mesmo quando as circunstâncias não são exatamente aquelas que gostaríamos.
Outra armadilha comum é condicionar o bem-estar a acontecimentos que ainda não chegaram: conseguir determinado emprego, encontrar um relacionamento, ganhar mais dinheiro, viajar, mudar de casa ou alcançar alguma meta pessoal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.