Crédito Oculto: Primo aparecia em usina semanalmente, dizem funcionários
Funcionários da Usina Itajobi, em Marapoama, no interior de São Paulo, relataram a investigadores que o empresário Mohamad Hussein Mourad, o “Primo” , atualmente foragido da Justiça, comparecia, em média, uma vez por semana no local e que ele seria o real proprietário da unidade.
A usina, que fica na região de Catanduva, no interior paulista, é identificada pelo Ministério Público de São Paulo ( MPSP ) como uma das peças do esquema de lavagem de dinheiro, blindagem patrimonial e ocultação de bens operado pela organização criminosa liderada por Primo e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.
Nesta quinta-feira (24/9), o MPSP deflagrou a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto , que investiga a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo e outros seis estados.
De acordo com a investigação, no cumprimento de mandados de busca e apreensão na Itajobi, foram coletados elementos indicando conexões entre a usina e a distribuidora Terrana, um dos principais alvos da novo operação.
“Os funcionários foram unânimes em afirmar que o senhor “João” seria o proprietário da unidade, mencionando que ele comparece à usina, em média, uma vez por semana.
Também foi informado que “João” possui um sobrinho que costuma frequentar o local”, diz o relatório da promotoria.
João era a forma como Primo se apresentava para usineiros e produtores locais.
Segundo o documento, os funcionários da Itajobi também relataram que as usinas Carolo, Virgolino de Oliveira, Centroálcool e Rio Pardo também pertenciam ao mesmo grupo empresarial.
O MPSP aponta que, após passar por um processo de recuperação judicial em 2019, encerrado no mesmo ano após renegociação, a usina foi formalmente adquirida em 2023 por investidores vinculados ao Grupo Entre, titularizado por Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, por meio do fundo Celebration.
Freixo firmou o termo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no início deste mês no âmbito de outra investigação.
Segundo a investigação da Polícia Federal (PF), a empresa teria sido usada para os repasses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Crédito Oculto A operação desta quinta-feira (24/9) é um desdobramento da Carbono Oculto , que aprofundou investigações sobre a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
A investigação revelou o uso de fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para ocultar o controle da usina sucroalcooleira Itajobi e viabilizar a compra da distribuidora de combustíveis Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana .
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