Manifestantes pelo direito à moradia em Portugal prometem continuar pressão
Milhares de manifestantes voltaram a duas praças centrais em Lisboa e no Porto nesta terça-feira e prometeram continuar com as manifestações contra a crise imobiliária cada vez mais grave em Portugal, poucas horas depois de a polícia ter desmontado os acampamentos antes do amanhecer e efetuado 55 prisões.
Uma assembleia popular em Lisboa votou na noite desta terça-feira pelo retorno à Praça do Rossio e pela montagem de barracas novamente na quarta-feira.
A cantora Ana Moura se juntou aos manifestantes no local e se apresentou em apoio ao movimento.
Os organizadores afirmaram que mais de 1.000 pessoas se reuniram em cada praça.
A polícia não divulgou estimativas sobre o número de participantes.
Debora Miranda, 41 anos, consultora de comunicação, disse à Reuters que se juntou ao protesto na Praça do Rossio para representar as gerações que lutam contra os custos cada vez mais altos.
“Se as pessoas não se sentem em casa, em todos os sentidos da palavra, não conseguem seguir em frente com suas vidas… já basta.” Leia também Protestos na Itália: Jovens que ‘representem perigo’ poderão ser detidos por até 12h Medida foi anunciada pelo vice-primeiro-ministro Matteo Salvini em meio à crescente onda de protestos no país França vai mobilizar militares contra protestos em grande operação de segurança “A mobilização no próximo sábado será maciça”, disse o primeiro-ministro Sébastien Lecornu Ativistas ocupavam a Praça do Rossio, em Lisboa, desde sábado, montando cerca de 200 barracas, e a Praça Dom João 1º, no Porto, há cerca de 10 dias.
Os acampamentos espelhavam os protestos por moradia na vizinha Espanha e coincidiram com agitação em países como França, Bélgica e Itália devido ao aumento do custo de vida.
Pouco antes das 6h da manhã, após alertar os manifestantes de que os acampamentos eram ilegais, a polícia lançou operações coordenadas nas duas cidades.
Os manifestantes desmontaram suas próprias barracas no Porto, enquanto os policiais esvaziavam a Praça do Rossio.
Carla Valadão, porta-voz do acampamento de Lisboa, descreveu a operação policial como “muito agressiva”.
O superintendente da Polícia de Segurança Pública, Sérgio Soares, disse aos repórteres que o despejo havia sido “calmo, proporcional e adequado, sem nenhuma investida policial”.
Os 55 detidos foram posteriormente liberados, aguardando uma audiência no tribunal de Lisboa na quarta-feira.
Portugal enfrenta uma das piores crises de acessibilidade à moradia da Europa.
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