Lula alfineta Flávio e diz a evangélicos que não faz discurso em igreja
Em encontro hoje com líderes da Frente Evangélica pelo Estado de Direito, o presidente Lula afirmou que não faz discurso político em igrejas por respeito aos fiéis. A posição se contrapõe ao comportamento de Flávio Bolsonaro, que tem usado o púlpito dos evangélicos na campanha à Presidência. É uma estratégia que tem funcionado, de acordo as pesquisas de intenção de voto, que mostram os bolsonaristas disparados na frente do petista no meio evangélico.
"Toda vez que alguém pede para eu ir numa igreja falar de política, eu não vou. Eu não vou porque eu respeito muito o individual que cada pessoa tem com Deus. Então não me convide para ir à Assembleia, que eu não vou. Não vou nem da católica, nem da evangélica. Porque eu respeito a fé das pessoas. Se eu quiser fazer política, eu faço na rua", disse o petista.
Lula falou da dificuldade convencer setores da sociedade sobre sua posição política. Disse que passou anos explicando que o vermelho do PT era uma referência "ao sangue de Cristo" e que a estrela era uma alusão aos navegadores que usam o símbolo para atravessar os mares. "Depois que eu passei anos explicando a bandeira vermelha e a estrela, eu passei a explicar a minha barba. Por que eu tinha barba? Eu falava que Jesus Cristo era barbudo. Mas isso não convence aqueles que são contra. Por que tem gente que não quer ser convencido."
A fala foi quase um desabafo da dificuldade do petista de se fortalecer entre os evangélicos. Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada ontem, Flávio tem uma vantagem de 23 pontos entre os evangélicos no segundo turno, numa proporção de 51% contra 28% do presidente.
Um dos líderes do grupo, o pastor Ariovaldo Ramos, aproveitou sua fala para defender que os líderes religiosos que atacam o presidente não representam todos os fieis. "Os evangélicos não podem ser encabestrados por ninguém. Não tem ninguém que fale por nós. Os evangélicos são mais complexos do que estão tentando descrever. Não se deixe enganar por vozes que nós cristãos não reconhecemos", afirmou o religioso.
O petista sinalizou que, se eleito para o próximo mandato, vai pedir a ajuda das igrejas para estabelecer uma política de cuidados para as pessoas idosas. Também elogiou os evangélicos por permitirem que mulheres sejam ordenadas pastoras e autoridades religiosas. De fé católica, criticou o Catolicismo.
"Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, bispas, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades. Essa é uma vantagem que a igreja evangélica tem. As mulheres são tratadas em igualdade de condições."
O presidente discursou por quase 30 minutos e dedicou boa parte do tempo para falar sobre a conjuntura internacional, criticando os líderes internacionais pelas guerras da Ucrânia e a invasão ao Irã. Afirmou que usará seu discurso na Assembleia Geral da ONU, no final deste mês, para fazer um apelo pela paz. Diante de três pastores americanos, vozes progressistas nos Estados Unidos, criticou o presidente Donald Trump:
"Essa invasão dos Estados Unidos ao Irã não tem explicação. O Trump achar que matando o Khamenei tinha ganhado a guerra, a guerra estava começando.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.