IFI defende anúncio de plano fiscal o quanto antes para ancorar expectativa
Passado o período eleitoral, a IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado defende que a equipe do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa anunciar “o mais rápido possível” um plano de ajuste fiscal para ancorar as expectativas do mercado.
Na última segunda-feira (26), a bolsa brasileira registrou a maior perda em um dia desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.
Diante o movimento, a B3 precisou acionar o circuit breaker.
Leia Mais: Shell registra maior lucro trimestral desde 2022 e eleva recompra de ações Governo estima R$ 64,6 bilhões em receitas extras por alta do petróleo Sob pressão de juros, construção civil tem queda na atividade do 3º tri “Nos primeiros dias, após o anúncio do resultado do segundo turno das eleições, houve forte volatilidade nos mercados de capital, cambial e dos juros futuros.
O anúncio, o mais rápido possível, de um plano de voo consistente e crível para os próximos quatro anos e de quem estará à frente do Ministério da Fazenda poderá acalmar os agentes econômicos e investidores”, diz o relatório da IFI.
Para 2026, a IFI projeta um déficit primário equivalente a 0,5% do PIB.
Para este ano, o governo federal persegue uma meta de superávit primário de 0,25% do PIB.
Já para 2027, a IFI estima um déficit primário efetivo potencial de 1% do PIB.
A projeção diverge das estimativas do próprio governo federal, que apontam um superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões.
“Sem falar no Pé-de-Meia para o ensino superior e a isenção de tarifa de transporte coletivo nos fins de semana.
Considerando que a IFI estima ser necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação dívida pública/PIB, esse quadro indica a necessidade de um ajuste fiscal equivalente a algo como 3 p.p. do PIB”, afirma.
A IFI defende que o ajuste fiscal produza superávits primários necessários para estancar o crescimento da dívida, de modo a criar um ambiente adequado para a queda das taxas de juros e desengessar o orçamento.
A instituição também defende rever o perfil dos gastos, aumentar a eficiência das despesas e ampliar substancialmente os investimentos estratégicos estruturantes, sobretudo na infraestrutura e na inovação tecnológica.
“Ficou bastante claro que a política fiscal é hoje o tema central para desatar os nós e romper os gargalos que aprisionam a economia brasileira no círculo vicioso composto por desequilíbrio fiscal, pressões inflacionárias, juros altos e baixo crescimento”, destaca o documento.
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