Por que o Brasil não tem bomba atômica, como propõe Renan Santos?
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, defende o desenvolvimento de armas nucleares como algo fundamental para garantir a soberania do Brasil. Em entrevista à TV Globo na quarta-feira (26/8), ele afirmou que o país só será respeitado globalmente se possuir uma bomba atômica .
"Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter a soberania sobre seu próprio território, soberania militar e vai ter que discutir ter bombas atômicas", afirmou Santos.
"Eu não acho que o Brasil dispõe de condições, nos próximos dez anos, de ter armas nucleares, nem tem condição de fazer ainda a pesquisa e desenvolver isso. Mas o Brasil tem que iniciar um processo de recuperação de soberania, de pesquisa, para ele poder sentar à mesa e discutir com o mundo", disse.
Hoje no mundo nove países possuem esse tipo de armamento: Estados Unidos, Rússia, França, China, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte.
Ao longo da sua história, o Brasil teve oportunidades de fazer parte desse seleto clube de países — mas nunca levou adiante a ideia.
Por que, afinal, o Brasil nunca desenvolveu armas nucleares — tido como instrumento importante de poder e dissuasão?
Em 1998, o Brasil assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, no qual assumiu o compromisso com o resto do mundo de não desenvolver armas do tipo.
Em 2025, a BBC News Brasil conversou com especialistas que explicam que a falta de consenso na sociedade e a ausência de uma ameaça externa clara desestimularam o país a perseguir esse caminho.
"O Brasil não tem arma nuclear porque não precisa", resume Carlo Patti, historiador da Universidade de Pádova, na Itália, e que pesquisou extensamente o programa nuclear brasileiro.
"O Brasil nunca precisou de armas nucleares para ações de defesa estratégica. Ele nunca teve uma ameaça real por parte de outros países, como uma ameaça da Argentina, ou da União Soviética durante a crise dos mísseis em Cuba. E são as ameaças externas que justificam a existência de um arsenal nuclear, e no Brasil essa ameaça nunca foi séria."
Mas apesar da ausência de ameaças concretas, a ideia de um arsenal nuclear brasileiro sempre existiu — seja em discussões na sociedade ou dentro de gabinetes.
"Sou o único candidato a presidente que tem coragem de dizer que o Brasil precisa construir a bomba atômica. Só cinco países no mundo têm o monopólio do poder nuclear, impondo aos outros a humilhação de assinar tratados de não proliferação de armas nucleares. É preciso construir a bomba não para jogar a bomba em ninguém, mas sim para evitar que alguém jogue a bomba aqui, como os EUA fizeram com o Japão em 1945. Se o Japão tivesse a bomba, ninguém se atreveria a ter destruído Hiroshima e Nagasaki. Meu nome é Enéas."
O trecho acima é parte da curta e folclórica propaganda eleitoral de 1994 de Enéas Carneiro, médico que fundou nos anos 80 o partido nacionalista e conservador Prona e concorreu diversas vezes à Presidência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.