Na TV, Ruas contrapõe 'Rio real' a cartão-postal; Paes aposta em experiência no Rio
A Segurança pública foi um dos principais temas da estreia da propaganda eleitoral para o governo do Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 28, mas Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) escolheram caminhos distintos para apresentar suas candidaturas. Ruas buscou nacionalizar a disputa, explorou sua trajetória na polícia e vinculou visualmente sua campanha ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Paes deixou a disputa nacional fora de sua peça e apostou na experiência à frente da Prefeitura do Rio para se vender como gestor capaz de repetir no Estado resultados que atribui à administração da capital.
A diferença ficou explícita na edição da propaganda de Ruas. Ao apresentar o que chamou de "turma da velha política", a campanha colocou em uma tela vermelha uma fotografia antiga, em preto e branco, de Paes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na sequência, ao falar do grupo que representa sua candidatura, a peça mudou para o verde e exibiu Ruas ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro.
Paes, por outro lado, concentrou sua propaganda na comparação entre os problemas do Estado e realizações de suas administrações municipais. Prefeito do Rio em quatro mandatos, por pouco mais de 13 anos no total, ele deixou o cargo em 20 de março deste ano para disputar o governo estadual.
Douglas Ruas abriu sua propaganda dizendo que o Estado convive com "dois rios": um associado às praias, à orla e ao turismo e outro formado pela Baixada Fluminense, São Gonçalo, zonas Norte e Oeste e cidades do interior.
"Quem mora aqui sabe, existem dois rios. O Rio do cartão-postal, da orla, da praia, do turista, da vida bacana. E tem o nosso, o Rio real", afirmou.
A escolha do "cartão-postal" também funciona como contraponto a uma imagem recorrente na comunicação política de Paes em campanhas anteriores. Ruas tentou deslocar o foco para regiões que, segundo sua narrativa, trabalham, pagam impostos e recebem menos serviços públicos.
A partir daí, o candidato transformou a própria biografia em argumento eleitoral. Disse ter crescido em São Gonçalo e associou sua decisão de entrar para a polícia à experiência com a violência.
"Aí a alegria virou medo. E a gente começou a correr. Correr de casa pro ônibus, correr pro posto, pra escola, correr pra escapar dos tiros. Mas não adianta correr, porque o medo sempre corre mais rápido", declarou.
Ruas afirmou que a passagem pela polícia lhe ensinou que a insegurança é "a maior ferida do Rio", mas procurou ampliar a mensagem para saúde, transporte e educação. Citou ainda sua formação em direito, especialização em gestão pública, passagem pela Prefeitura de São Gonçalo e afirmou ter contribuído para levar obras a mais de 70 municípios.
Foi na reta final que a campanha explicitou a nacionalização da disputa. "Para mim, essa eleição não é entre dois nomes, é entre dois rios e duas gerações. De um lado, a turma dos meus adversários, que há 30 anos se revezam no poder.
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