'Demita!': trabalhadores petistas são atacados por bolsonaristas nas redes
A reeleição de Lula (PT) gerou uma onda de ataques e ameaças a trabalhadores que votaram no presidente reeleito no último domingo. Logo após o resultado, diversas postagens em redes sociais incentivaram a demissão ou perseguição como uma retaliação à derrota de Flávio Bolsonaro (PL).
Desde a 0h da segunda-feira até as 17h45 de ontem (27), o MPT (Ministério Público do Trabalho) recebeu 530 denúncias de todos os tipos de assédio a trabalhadores relacionados às eleições.
Segundo o procurador Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, o volume de casos que chegam neste momento é algo inédito. "Não param de chegar denúncias, aumenta a cada hora", diz.
Ele cita que, em eleições passadas, o maior problema era o assédio para que trabalhadores votassem em determinado candidato. Agora o cenário é bem diferente.
"Antes eram muitas denúncias perto da eleição. Em 2022, que é o nosso recorde de denúncias de assédio eleitoral (3.373 no ano todo), 80% das denúncias foram entre primeiro e segundo turno; poucas vieram depois da votação. Agora temos um número extremamente alto, especialmente em redes sociais."
O MPT está atuando nesses casos com um um grupo de trabalho e pontos focais em todas as procuradorias regionais para lidar com a quantidade de casos. "Já estávamos pensando nesse cenário de política polarizada e nos preparamos para uma forte atuação no tema."
Ao longo dos últimos dois dias, o UOL viu e recebeu centenas de posts com ataques a trabalhadores, a maioria estimulando a demissão de trabalhadores "petistas".
Algumas dessas postagens foram feitas por políticos de extrema direita, receberam comentários de apoio e tiveram compartilhamentos de muitos internautas. Muitas das falas usam palavrões para ofender esses trabalhadores.
O assédio tem gerado decisões, como da Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro, que atendeu a um pedido do MPT do Rio de Janeiro e proibiu que a deputada estadual India Armelau (PL) —a mais votada no estado em 2026— de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por convicções políticas.
Em publicação após a derrota de Flávio, ela publicou mensagem pedindo: "Olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez 'L'. acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários".
Sendo a ré uma integrante do Parlamento, mais do que qualquer outro cidadão, deve prezar pela liberdade de expressão, desde que respeitosa, deve fomentar a democracia e aceitar as diferentes opções políticas de cidadãos e trabalhadores, sem utilizar de discursos e falas que podem gerar pela sua leitura ou escuta, sentimentos de ódio, perseguição ou discriminação. Trecho de decisão do juiz do Trabalho Leonardo Saggese Fonseca
Segundo Igor Sousa Gonçalves, o MPT está realizando um monitoramento de casos em todos os estados e no Distrito Federal. Ele explica que, mesmo que uma pessoa não seja empregadora, mas compartilha estimulando a perseguição a trabalhador, está sujeita a ações.
"Esse tipo de atuação gera um dano à coletividade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.