Se Flávio for presidente, Moraes estará fora do STF, diz Eduardo Bolsonaro
Na noite de hoje (14), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que se seu irmão Flávio for presidente do Brasil, Alexandre de Moraes não deverá mais ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele respondeu à imprensa do Brasil brevemente, em Washington D.C., um pouco antes de discursar em um evento da plataforma ultraconservadora Latino Wall Street e pelo portal de direita La Derecha Diario. O principal convidado da noite era o presidente da Argentina, Javier Milei, aliado de Eduardo.
"Primeiro a gente vai ter que expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes da Suprema Corte. Gostei que ele já veio rastejar a atrás de um acordo e que o PL rejeitou o acordo", afirmou Eduardo, sem explicar a respeito de qual acordo estaria se referindo.
Nos últimos dias, uma série de decisões do STF, como o relaxamento da prisão da bolsonarista Débora do Batom, condenada por participar dos atos de 8 de Janeiro, e o aceno feito pelo ex-presidente Michel Temer — responsável por indicar Moraes para a corte — a Flávio foram interpretados em Brasília como tentativas de construção de pontes. Flávio não só terminou o primeiro turno das eleições presidenciais à frente do presidente Lula, mas seu grupo político elegeu senadores o bastante para avançar com planos de impeachment de Moraes, que foi relator do processo da trama golpista, no qual Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão. Coordenador de campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) recusou publicamente qualquer tentativa de acordo.
"E com o Alexandre de Moraes a questão é muito pessoal. E eu também não vejo o Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com o Alexandre de Moraes da Suprema Corte", seguiu Eduardo, que foi condenado a mais de 4 anos no regime semi-aberto por coação de autoridades pela campanha que fez junto a autoridades dos EUA por punições aos juízes do STF. Na semana passada, Moraes mandou expedir o mandado de prisão de Eduardo.
Eduardo mora nos EUA desde fevereiro de 2025 e, caso seu irmão seja eleito, o grupo político estuda a possibilidade de aprovar no Congresso ainda durante a transição uma anistia para cerca de dois mil bolsonaristas condenados ou multados, incluindo o ex-deputado. Se a saída não for possível, aliados bolsonaristas afirmam que Flávio daria indulto ao irmão e ao pai, além dos demais presos, no dia da posse, 6 de janeiro.
Questionado sobre expectativas de voltar ao Brasil, Eduardo condicionou a volta à extinção da pena. "Não vou puxar cadeia sendo inocente". E afirmou ainda que Moraes é um "tirano" e uma "pessoa totalmente fora de controle".
Eduardo Bolsonaro dividia o palco do evento com o presidente da Argentina Javier Milei, seu aliado. Ambos trocaram mensagens ontem (13) e combinaram de se falar, embora não houvesse nenhuma pauta específica ou um encontro formal acertado.
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