Feira SP-Arte Rotas aposta no Brasil como o novo polo latino para as artes visuais
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"Nosso Norte é o Sul." A frase de Joaquín Torres García —pintor uruguaio conhecido por seu desenho do mapa da América do Sul invertido, em que os países meridionais ganham o protagonismo em geral reservado aos setentrionais— parece se relacionar com a proposta de Fernanda Feitosa.
A diretora das feiras SP-Arte e Rotas diz que o mundo está se reorganizando, com polos regionais agora muito fortes. Os centros gravitacionais do circuito das artes não são mais somente os Estados Unidos e a Europa, ela argumenta, dado que regiões como a América Latina, a África e o Oriente Médio despontam como produtoras de arte e mercados importantes do setor.
Nesta geografia anticolonial, o Brasil tem condições de se estabelecer como ponto de parada para as galerias latinas, segundo ela, sobretudo São Paulo, devido à força econômica da cidade, o tamanho do mercado local e a pujança da vida cultural. "Não tem por que Miami ser o centro de encontro da América Latina, dentro dos Estados Unidos", afirma.
Ela se refere à edição de Miami da feira Art Basel , praça internacional de negócios onde galeristas e artistas brasileiros, argentinos, mexicanos, colombianos e peruanos se encontram e acessam os colecionadores e as instituições dos Estados Unidos.
Feitosa diz entender por que o sucesso ainda está vinculado a passar pela peneira de feiras muito influentes como a Art Basel ou a Frieze, mas acrescenta que outros mercados estão surgindo. "Se você vender um monte na feira latina agora é sucesso, na feira de Joanesburgo também é."
Com a Rotas —que acontece a partir desta quarta-feira, dia 26, em São Paulo—, ela põe os seus tijolos nesta construção geopolítica. Das 66 galerias da feira, seis são de países da América do Sul, em relação a três na edição do ano passado. Além disso, algumas casas brasileiras exibem artistas da região.
A galeria argentina Isla Flotante traz pinturas de Tobias Dirty, nome novo para os colecionadores paulistanos, enquanto a também portenha Barro exibe obras de La Chola Poblete, alvo de uma exposição recente no Masp , o Museu de Arte de São Paulo.
A Sur, do Uruguai, estará na feira depois de participar da edição de abril da SP-Arte, um indicativo da importância do mercado brasileiro para a casa de Montevidéu, que participa da feira desde o início, há mais de 20 anos. E a colombiana Casa Zirio faz sua primeira participação na Rotas.
Das brasileiras, a Casa Triângulo terá obras de Matías Duville, argentino que está agora na Bienal de Veneza , e a Leme expõe esculturas do paraguaio Jorge Enciso, tapeçarias da peruana Olinda Silvano Inuma e uma pintura de Sandra Gamarra.
"Tem que construir, aqui no Brasil, a educação e a informação do que está acontecendo nos países vizinhos", afirma Feitosa.
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