Lagos desapareceram há 18.500 anos e deixaram pegadas humanas, sepultamentos antigos e fósseis de marsupiais gigantes preservados no interior da Austrália
Sistema hídrico extinto na Oceania guarda registros fósseis únicos da megafauna e da ocupação humana durante o Pleistoceno.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Os sedimentos fósseis de Willandra Lakes detalham um longo período climático onde o interior da Austrália abrigava extensos corpos d’água. Essa antiga bacia reteve vestígios arqueológicos inestimáveis sobre o estilo de vida das primeiras populações humanas que habitaram a Oceania.
O complexo hídrico funcionou plenamente durante o período Pleistoceno , quando fortes correntes de rios glaciais abasteciam ininterruptamente diversas bacias conectadas. Com o auge da última era glacial, a diminuição drástica das chuvas regionais e o aumento das taxas de evaporação transformaram radicalmente a paisagem, secando gradativamente esses ecossistemas úmidos.
Esse processo intenso de desertificação deixou para trás espessas camadas ricas em calcário e argila, selando densos registros biológicos sob o solo estratificado. Dessa forma, as bacias vazias se converteram em imensos arquivos naturais de areia intocada, imortalizando com perfeição restos da fauna silvestre extinta e sedimentos arqueológicos raros.
Na tabela abaixo, veja um resumo comparativo das características climáticas e biológicas regionais:
As escavações estratigráficas na Austrália revelaram ossadas perfeitamente articuladas de cangurus colossais e de vombates com as dimensões aproximadas de rinocerontes modernos. Esses grandes herbívoros prosperavam pacificamente ao redor das margens férteis até que a drástica alteração no regime de chuvas suprimiu definitivamente suas fontes primárias de alimentação diária.
A identificação detalhada dessas espécies endêmicas fornece dados biométricos essenciais para o avanço do campo da paleontologia australiana contemporânea. Documentações rigorosas validadas pela UNESCO atestam a excepcionalidade mundial desses robustos esqueletos gigantescos, que hoje jazem perfeitamente mineralizados nas camadas profundas do subsolo arenoso continental.
A seguir, os principais exemplares documentados da megafauna herbívora e carnívora extinta localmente:
Além dos registros da megafauna, os pesquisadores mapearam mais de oitocentas pegadas humanas fossilizadas espalhadas ao longo das antigas planícies de lama argilosa. Estima-se com alta precisão que essas impressões datem de um longo intervalo entre 19.000 e 23.000 anos , marcando densas rotas de caçadores cruzando a bacia.
A preservação impecável e duradoura desses rastros ocorreu graças ao rápido ressecamento do barro superficial, seguido pelo soterramento instantâneo causado pelas dunas móveis. Consequentemente, finos detalhes anatômicos dos pés descalços permaneceram totalmente intactos, permitindo aos cientistas calcular a altura exata e o ritmo de caminhada dos indivíduos primitivos.
As descobertas arqueológicas contínuas em meio à aridez extrema demonstram que essas civilizações antigas possuíam uma notável e complexa capacidade de adaptação ambiental.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.