Júri segue sem veredicto no caso de enfermeira acusada de matar 3 filhos
O júri do caso de Lindsay Clancy, enfermeira acusada de matar os três filhos nos EUA, voltou a informar que não chegou a um veredicto.
Pela segunda vez, os jurados disseram ao juiz William Sullivan que seguem divididos sobre a responsabilidade criminal da ré. Mesmo assim, ele orientou o grupo a continuar as deliberações e a reavaliar posições, sem abrir mão das próprias convicções apenas para encerrar o caso.
O impasse foi registrado no quinto dia de deliberações, o que aumenta a chance de um júri sem consenso e de anulação do julgamento. Se isso ocorrer, o processo volta ao estágio anterior ao julgamento, com Clancy ainda acusada de homicídio e mantida em um hospital psiquiátrico enquanto o caso segue.
Clancy, de 36 anos, não nega ter estrangulado os três filhos pequenos em casa, em Massachusetts, em janeiro de 2023. A defesa afirma que ela sofria de psicose pós-parto, enquanto a Promotoria sustenta que ela tinha consciência do que fazia e agiu de forma intencional.
Um novo julgamento é uma possibilidade, mas não a única saída para a Promotoria. "Sempre que surge novamente a ameaça de um novo julgamento ? com a acusação de homicídio em primeiro grau pairando sobre a cliente ?, os advogados de defesa, no mínimo, avaliam se há interesse em uma resolução", disse Brad Bailey ao G1.
Se a divisão persistir, o juiz pode declarar o julgamento anulado, e caberá aos promotores escolher o próximo passo. Entre as opções estão tentar novamente com um novo júri, reiniciando a seleção de jurados e marcando outro julgamento, ou buscar um acordo judicial.
O caso também gira em torno das alternativas de veredicto disponíveis aos jurados pela lei de Massachusetts. Eles podem concluir pela inocência, pela inocência por motivo de insanidade mental, ou por diferentes graus de homicídio, com consequências distintas para a pena e para a possibilidade de liberdade condicional.
Uma condenação por homicídio em primeiro grau é o cenário mais grave para a ré. No direito estadual, essa classificação envolve intenção e premeditação (ou extrema crueldade) e leva à prisão perpétua sem possibilidade de condicional.
Três anos após as mortes, o julgamento tem colocado em evidência a discussão sobre psicose e outros transtornos pós-parto nos EUA. Grupos de mulheres se manifestaram do lado de fora da corte na semana passada em apoio a Clancy e pedindo mais atenção à saúde mental materna.
A defesa tenta convencer o júri de que a psicose pós-parto, considerada rara, pode estar associada a estresse, privação de sono e alterações hormonais após o parto. Já a Promotoria argumenta que, apesar da alegação, Clancy deve ser responsabilizada pelas mortes de Dawson, três anos, Cora, cinco, e Callan, oito meses.
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