Alexandre de Moraes chama caso Master de 'vingança' em pronunciamento
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou uma manifestação ao tribunal para negar irregularidades e dizer que o relatório sobre suspeitas de favorecimento ao Banco Master é uma "tentativa de vingança".
Moraes afirmou que a ofensiva contra ele tem motivação político-eleitoral e mira o período próximo às eleições. No documento enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, o ministro diz que há uma "farsa" e "criminosas mentiras" articuladas para atingi-lo.
O ministro atribuiu o movimento a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele escreveu que a "tentativa de vingança" partiria de "aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal".
Moraes disse que nunca ajudou o Banco Master nem Daniel Vorcaro, apontado como ex-controlador da instituição. Ele sustenta que "nada ocorreu" e que os milhares de documentos da Operação Compliance Zero não trazem indícios de crimes de sua parte.
Ele classificou o relatório da Polícia Federal como "nulo e imprestável" e afirmou que houve quebra da cadeia de custódia. Moraes diz que o material não foi produzido integralmente pela PF e que o documento foi usado para montar uma narrativa com objetivo eleitoral.
Moraes negou a autoria de mensagens encontradas no celular do banqueiro que indicariam favorecimento. Ele escreveu que não há "absolutamente nenhuma mensagem" de sua autoria que indique consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de operação policial.
Moraes afirmou que a apuração iniciada pelo ministro André Mendonça é "absolutamente inconstitucional e ilegal". Ele diz que o relator determinou, de ofício, atos de investigação em relação a um ministro da Corte.
O caso tem como pano de fundo um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. O escritório confirmou que o ministro fez revisões pontuais apenas para verificar se havia conflitos de interesse, sem apontar irregularidade.
Moraes afirmou que a prisão de Vorcaro indicaria que não houve vazamento de informações. Ele disse que "não é lógico, razoável e plausível" falar em vazamento, já que o suspeito foi preso com celular e passaporte ao tentar embarcar no aeroporto.
Na manifestação, Moraes disse que a tentativa de golpe "mudou seu modus operandi" após 8 de janeiro de 2023. Ele escreveu que o STF "saberá resistir" e "sairá fortalecido", com a "defesa plena da Constituição, do Estado de Direito e da Democracia".
Moraes disse que pretende pedir ao presidente do STF a oitiva de testemunhas sobre reuniões com Mendonça. Ele afirma que essas pessoas presenciaram pedidos para que a Polícia Federal adotasse medidas contra ele e incluísse Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em uma colaboração premiada.
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