Cidades devem ser projetadas com a natureza, não para superá-la, diz Carlo Ratti
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Ao desembarcar em Porto Alegre no próximo dia 28 para encerrar o 4º Encontro Cidades Responsivas –evento que reúne academia, governos e mercado para discutir inovação urbana–, o arquiteto e engenheiro italiano Carlo Ratti encontrará uma paisagem urbana em reconstrução .
Diante do Guaíba, cujas águas protagonizaram uma das maiores tragédias climáticas do país, o urbanista terá um cenário oportuno para suas provocações. Para Ratti, os muros estáticos que falharam na contenção das cheias de 2024 simbolizam um modelo de planejamento ultrapassado.
Entrevistado por email pela Folha , ele destacou que a salvação das metrópoles em um contexto de mudanças climáticas não está em tentar dominar a natureza com engenharia pesada, mas em criar sistemas adaptativos. Uma amostra dessa ideia foi apresentada no Brasil com a AquaPraça, uma estrutura pública flutuante criada para a COP30 em Belém .
Diretor do MIT Senseable City Lab, laboratório de pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts que estuda como as tecnologias digitais transformam a vida nas cidades, foi o curador da Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025.
Ratti insiste que a verdadeira cidade inteligente não é aquela repleta de telas e sensores frios, mas sim a que se comporta como um sistema vivo e responsivo aos desafios do clima .
Qual sua expectativa sobre o debate em Porto Alegre pós-enchentes e seu diagnóstico do urbanismo brasileiro? Porto Alegre nos lembra que as mudanças climáticas não são mais um desafio abstrato do futuro –elas estão moldando nossas cidades hoje. As recentes enchentes destacaram a urgência de repensar a relação entre a urbanização e a natureza. Este é precisamente o tema que coloquei no centro da Bienal de Arquitetura de Veneza, que tive o privilégio de dirigir no ano passado.
O Brasil é, há muito tempo, um laboratório notável de inovação urbana. Suas cidades combinam uma criatividade extraordinária com as complexas realidades da desigualdade e da informalidade, frequentemente gerando soluções que emergem de baixo para cima, em vez de um planejamento centralizado.
Como a sua proposta de arquitetura pode proteger cidades ameaçadas por cheias e pelas mudanças climáticas em geral? Em Turim, criamos plataformas flutuantes que sobem e descem com o rio Pó. Adotamos abordagem similar na AquaPraça, para a COP 30 em Belém. O mesmo pode ser feito no Guaíba: a arquitetura adaptativa protege a cidade sem romper sua relação com a água. O desafio não é a tecnologia, mas persuadir os órgãos técnicos a projetarem com a natureza em vez de tentar superá-la com engenharia pesada.
Defesas estáticas assumem que as cheias futuras repetirão as passadas. Mas as mudanças climáticas provam o contrário: sistemas baseados no passado já nascem obsoletos, como Porto Alegre viveu em 2024. Veneza usa barreiras móveis.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Cotidiano.