Descansar gera culpa? Jornalista explica a problemática cultural
Incluir o próprio descanso na agenda pode parecer simples, mas, para muitas pessoas, essa é uma tarefa difícil.
É o que aponta Izabella Camargo, que compartilhou sua experiência pessoal com o esgotamento e a dificuldade de colocar o sono e o lazer como prioridades na rotina.
Em participação no programa “ Na Palma da Mari: Entre Mulheres” , Izabella revelou que, antes de receber o diagnóstico de síndrome de burnout, costumava dormir apenas com o tempo que sobrava de sua agenda.
“Eu achava que eu podia me deixar para depois”, afirmou.
Segundo ela, o amor pelo próprio trabalho criava uma falsa sensação de proteção contra o adoecimento.
“Imagina que você vai adoecer por fazer demais o que você ama”, disse.
Leia Mais Cansaço digital: estudo explica por que as mesmas tarefas pesam mais agora Mulher de 65 anos tem "ataque do coração" por estar feliz demais Vídeo: Médicos no Japão são surpreendidos por terremoto durante cirurgia Influência cultural e familiar Izabella também destacou que a dificuldade de descansar não é apenas individual, mas está enraizada em contextos familiares e culturais.
Dependendo do ambiente em que uma pessoa cresce, o descanso pode ser visto com desconfiança ou até reprovação.
“Dependendo do contexto que você ouve da sua família, você também não tem a permissão de descansar”, observou.
Ela ressaltou que não se trata de crítica às famílias, mas de reconhecer padrões que funcionaram em outros tempos e que hoje podem ser revistos.
Para ilustrar a gravidade do problema, Izabella mencionou o fenômeno japonês conhecido como karoshi , descrito por ela como morte súbita por excesso de trabalho .
Segundo ela, o Japão já oferece indenização a famílias vítimas desse fenômeno desde a década de 1980.
“É cultural”, afirmou.
Ela relatou ainda ter ouvido, em um restaurante, uma senhora comentar que “nunca ninguém morreu de trabalhar”, reforçando como esse tipo de pensamento ainda circula no cotidiano.
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