Análise: Com 6 meses de guerra, Irã prova que é capaz de manter a soberania
A guerra entre os Estados Unidos e o Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), contrariando as previsões iniciais de que o conflito se encerraria em poucas semanas.
O impasse persiste sem perspectiva de acordo, enquanto mediadores internacionais intensificam esforços para reabrir o Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento do petróleo global.
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna comenta o tema ao CNN Prime Time .
Pressionado pelo Catar, o Irã concordou em apresentar uma lista de condições para restabelecer o tráfego na estratégica via marítima.
Em paralelo, os Estados Unidos anunciaram novas sanções com o objetivo de sufocar a economia iraniana.
O Irã condenou o embargo , classificando-o como terrorismo, e pediu a outros países que se abstenham de aplicá-lo.
O presidente americano, Donald Trump, por sua vez, ameaçou punir nações que apoiem o regime iraniano.
Leia Mais EUA e Irã divergem sobre negociações; entenda o cenário atual Negociação entre EUA e Irã tem “avanços encorajadores”, mas tensão continua Irã e EUA se reunirão nos próximos dias para tratar implementação de acordo Impactos múltiplos e globais Segundo Lourival, os impactos do conflito são “múltiplos, profundos e não só regionais, mas globais”.
Para ele, a guerra confirma a experiência de potências que iniciaram conflitos acreditando que seriam rápidos e se viram presas em situações de difícil saída.
“Estou me referindo à Rússia, na Ucrânia, e também aos Estados Unidos, no Irã”, afirmou.
O analista destacou que superioridade militar e econômica não é suficiente para vencer uma guerra de escolha, citando fatores como a geografia, a tolerância à dor e o uso de tecnologia — especialmente drones.
Irã muda postura de dissuasão Sant’Anna ressaltou que o Irã mudou fundamentalmente sua postura de dissuasão ao longo do conflito.
Se antes essa capacidade estava centrada no programa nuclear, agora ela se apoia no controle do Estreito de Ormuz.
“O Irã provou que é capaz de manter a soberania, de causar um enorme choque de energia, um choque econômico global”, avaliou o analista.
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