União Europeia tem mais de 150 mil idosos em situação de rua
Cerca de 170 mil pessoas com mais de 65 anos estão em situação de rua na União Europeia e no Reino Unido, uma população vulnerável que as estruturas de abrigo de emergência têm dificuldade em acolher, alertaram associações nesta terça-feira (15).
O número de idosos "nas ruas, em abrigos de emergência ou acolhidos em centros destinados a pessoas sem-teto pode ser estimado em 166.261", indica um relatório da Federação Europeia de Associações que Trabalham com Pessoas Sem-Teto (FEANTSA) e da Fundação para a Habitação. Para chegar a essa estimativa, as associações fizeram um cálculo com base em censos por faixa etária de pessoas em situação de rua , nos países que possuem esse tipo de dado.
Ao somar o número de idosos em situação de rua em nove países, chegou-se a uma taxa média de 0,148%. Aplicada à população idosa da UE e do Reino Unido, essa porcentagem resulta em 166.261 idosos nessa condição.
Há uma tendência de imaginar os idosos como um grupo etário poupado de dificuldades, “mas dentro de cada geração existem fortes desigualdades”, ressaltou Ruth Owen, diretora adjunta da FEANTSA, durante coletiva de imprensa.
Nos países onde há dados disponíveis, a proporção de idosos entre as pessoas em situação de rua varia muito: de 1,6% na Irlanda a 8,9% na Alemanha, chegando a 44% na Hungria.
A situação de rua entre idosos está aumentando, o que impõe desafios às estruturas de abrigo de emergência. Essas instalações são “projetadas para acolher um público relativamente autônomo”, dentro de “uma lógica de transição”, descreve o relatório. As instalações, muitas vezes sem elevadores ou equipadas com beliches, não são adequadas para pessoas que estão perdendo a autonomia. Além disso, os idosos têm maiores necessidades de cuidados, que o setor social não consegue suprir por falta de recursos e competências.
No total, considerando todas as faixas etárias, o relatório estima em 1,4 milhão o número de pessoas em situação de rua, em abrigos emergenciais ou acolhidas em centros de assistência na Europa. Esse total aumentou em relação ao ano anterior (1,3 milhão em 2024).
As associações alertam que os sistemas estão sob pressão , com “filas de espera que disparam, pessoas transferidas de um abrigo para outro sem solução definitiva e estadias que se prolongam por falta de alternativas, levando os agentes a ‘selecionar o público’ e a ‘endurecer’ as condições de acesso. Segundo as ONGs, essa política tem ‘efeitos letais’.
Elas pedem que cada Estado adote e implemente “estratégias nacionais” de combate à situação de rua, “atualizadas e ambiciosas”.
Acompanhe todas as notícias internacionais baixando o aplicativo da RFI
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.